Lembra quando o BLACKPINK era sinônimo de produções milionárias e cenários de tirar o fôlego? Pois é, a volta do grupo com o mini álbum DEADLINE e o MV de "GO" está gerando um burburinho que vai muito além da empolgação. A descoberta de que os efeitos visuais foram majoritariamente gerados por Inteligência Artificial deixou até os Blinks mais fiéis com um gosto amargo na boca.

BLACKPINK-DEADLINE-Artist-Image

Da glória dos sets reais ao "vômito de IA"

O que mais pegou os fãs de surpresa foi o contraste brutal com o passado. A gente se acostumou a ver o BLACKPINK em cenários épicos e práticos – lembra do tanque de "Kill This Love" ou do castelo de "How You Like That"? A marca registrada delas era justamente evitar telas verdes e investir pesado em ambientes reais que pareciam CGI. Agora, a lista de créditos do MV de "GO" traz mais de onze nomes nas áreas de "AI VFX" e "AI Production".

A reação nas redes foi imediata e, vamos combinar, bem ácida. Um usuário no X (antigo Twitter) resumiu a frustração: "Adoro como os fãs do BP se orgulhavam dos MVs por nunca usarem chroma key e ficarem com sets práticos, e agora seus dois últimos vídeos musicais são basicamente um vômito de IA gerado".

A revolta dos fãs: "É uma bagunça"

O sentimento de traição é palpável. Para uma geração que cresceu vendo a dedicação por trás de cada frame, a opção pela IA soa como um atalho preguiçoso, especialmente vindo de um grupo do calibre do BLACKPINK. Os comentários se multiplicam:

O problema vai além da estética. A normalização do uso de IA generativa em grandes indústrias criativas levanta debates éticos ferrenhos sobre direitos autorais, impacto ambiental e a desvalorização de artistas visuais. E o fandom do K-Pop, sabidamente engajado e crítico, está bem no centro dessa discussão.

A polêmica não para no visual

Parece que a tempestade perfeita se formou em torno do DEADLINE. A controvérsia da IA se soma a outras críticas que o álbum tem recebido, incluindo acusações de letras problemáticas em outra faixa, como reportado pelo Koreaboo.

E aí, onde isso tudo vai parar? Será que essa reação é um ponto fora da curva ou um sinal de que o público está estabelecendo um novo limite para o que aceita das suas estrelas favoritas? A gente viu o K-Pop quebrar barreiras tecnológicas antes, mas será que essa é uma fronteira que os fãs não querem ver cruzada?

O custo por trás do "atalho": mais do que apenas estética

Quando a gente para pra pensar, a frustração não é só sobre o MV ficar "feio" ou "estranho". É sobre o que essa escolha representa. O BLACKPINK, junto com a YG Entertainment, construiu uma marca em cima do excesso, do luxo palpável, da sensação de que nenhum detalhe era pequeno demais. Lembra daquele making of de "DDU-DU DDU-DU" onde elas atiravam em sets gigantescos de verdade? Era mais do que um vídeo, era uma declaração de intenções. Trocar isso por algoritmos, mesmo que sofisticados, mexe com a própria identidade que os fãs compraram durante anos.

E tem um ponto econômico crucial aqui. Um artigo da Forbes recente discutia como o custo inicial baixo da IA é uma ilusão de curto prazo. A longo prazo, a perda de valor de marca e a alienação do fandom podem custar muito mais caro. Será que a YG fez as contas considerando o desgaste da relação com os Blinks, um dos fandoms mais lucrativos e leais do mundo?

O precedente perigoso e a reação da indústria

O pior é que o BLACKPINK não está agindo num vácuo. Elas são trendsetters. O que elas fazem, dezenas de outras empresas e grupos tentam replicar. Se uma das maiores forças do K-Pop normaliza o uso massivo de IA generativa em seus produtos principais, isso abre um precedente assustador para toda a indústria. Já imaginou os estúdios de coreografia, direção de arte, figurino e pós-produção sendo substituídos por prompts de texto?

Alguns artistas já estão se posicionando contra essa onda. A cantora e compositora IU, por exemplo, foi bem clara em uma entrevista recente ao Vogue Korea sobre valorizar o "toque humano" em sua música. E no ocidente, temos casos como o da Taylor Swift, que processou uma empresa por usar IA para criar imagens falsas dela. A questão é: o K-Pop, uma indústria que sempre se vendeu como hiper-profissional e de altíssima qualidade, vai abraçar o caminho mais fácil?

E as próprias integrantes? O que elas pensam?

Isso me leva a um questionamento que não sai da cabeça: qual foi o nível de envolvimento da Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa nessa decisão? A gente sabe que idol sênior, especialmente do nível delas, tem um certo poder de barganha. Será que elas aprovaram o conceito do MV sabendo da extensão do uso de IA? Ou será que, como muitas vezes acontece, a agência apresentou o produto final como um *fait accompli*?

Alguns fãs especulam nas comunidades online, como no Reddit, que a timing apertada do comeback – o tal "DEADLINE" do título – pode ter forçado a mão da produção. Entre as agendas individuais superlotadas das garotas e a pressão por lançar algo, a IA teria sido a solução rápida. Mas justifica? Para um fandom que esperou tanto, aceitar um produto "feito às pressas" é um tiro no pé.

O silêncio das integrantes e da YG sobre a polêmica também fala volumes. Enquanto os comentários fervem, a estratégia parece ser deixar a poeira baixar. Mas em uma era de transparência exigida pelos fãs, esse silêncio pode estar criando mais desconfiança do que resolvendo.

Para onde vai o valor no K-Pop do futuro?

No final das contas, a treta do "GO" levanta uma questão existencial para todo fã de K-Pop: o que a gente realmente valoriza? A música em si, "GO", até tem seus defensores. Mas o K-Pop nunca foi *só* a música. Era o pacote completo: a performance impecável, a moda, a narrativa visual, a sensação de que você estava testemunhando algo único e caro.

  • Se os MVs viram wallpaper de IA, perdemos a magia dos behind-the-scenes.

  • Se as capas de álbum são geradas por Dall-E, o trabalho dos ilustradores e fotógrafos some.

  • Se as coreografias forem criadas por algoritmo, o que sobra da conexão humana que vemos nos ensaios?

O que está em jogo com o comeback do BLACKPINK pode definir um novo padrão. Será que os fãs vão continuar consumindo e gerando milhões de views para um produto que sentem ser "falso"? Ou será que essa reação forte é o primeiro sinal de um boicote consciente, um grito por autenticidade em um mundo cada vez mais digital e sintético? A resposta pode não estar nos charts da Melon, mas no sentimento que permanece nos fóruns e timelines muito depois do hype do lançamento passar.

Com informações do: Koreaboo