Lembra da irmã do Baek Hyun Woo em Queen of Tears? A atriz e ex-modelo Jang Yoon Ju acabou de abrir o jogo sobre um lado sombrio da sua carreira inicial: a pressão constante para realizar ensaios fotográficos sensuais e nus, algo com o qual ela nunca se sentiu verdadeiramente confortável.

O início da carreira e a pressão estética
Em um vídeo recente no seu canal do YouTube, Jang Yoon Ju, que começou a modelar aos 18 anos em 1997, compartilhou que tinha "muito o que falar". Ela revelou que, por ter um corpo considerado mais curvilíneo que o das outras modelos da época, era frequentemente direcionada para trabalhos mais ousados.

Comparada a outras modelos, eu tinha mais curvas, então acabei fazendo ensaios nus com bastante frequência. Havia momentos em que isso me deixava desconfortável e momentos em que eu realmente não queria fazer. Fui pressionada simplesmente porque meu corpo era considerado atraente.
— Jang Yoon Ju
A intervenção das colegas mais experientes
A situação chegou a um ponto onde até mesmo modelos mais experientes, suas "unnies" (termo carinhoso para irmãs mais velhas no coreano), se preocuparam e a confrontaram. Elas questionaram por que uma garota tão jovem continuava aceitando esse tipo de trabalho.

Uma vez, algumas unnis mais velhas me chamaram e disseram: 'Yoon Ju, por que você continua fazendo ensaios em que tira a roupa? Você ainda é jovem. Não estamos dizendo isso como veteranas, mas como unnis que estão preocupadas com você. Não faça isso.'
— Jang Yoon Ju
O conflito interno: arte vs. pressão da indústria
Na época, Jang tentou racionalizar a situação. Ela acreditava que a modelagem poderia ser uma forma de expressão artística e que apresentar o corpo com confiança poderia ter um significado profundo. No entanto, ela reconhece que a mentalidade na Coreia do Sul, especialmente durante o auge de sua carreira como modelo, era muito mais conservadora do que no exterior.

Na época, eu entendi o que elas queriam dizer, mas naquele momento eu pensava que, como modelo, não deveria estar fazendo esse tipo de performance como obra de arte? Eu pensava que se eu pudesse me apresentar com confiança e naturalidade, mesmo nua, isso não seria admirável? No exterior, a exposição é vista como uma forma mais livre de performance, mas na Coreia, especialmente quando eu era ativa, a mentalidade era bem diferente.
— Jang Yoon Ju
Essa revelação nos faz pensar sobre quantas outras jovens aspirantes a modelo ou atriz podem ter passado por situações similares, especialmente em uma indústria conhecida por seus padrões rígidos e, muitas vezes, exploratórios. A transição de Jang Yoon Ju para a atuação, com papéis em filmes e K-Dramas como Queen of Tears, parece ter sido um caminho para encontrar um espaço onde seu talento fosse o foco principal.

O peso da fama precoce e a busca por respeito
A fama chegou cedo para Jang Yoon Ju. Aos 19 anos, ela já era uma das modelos mais requisitadas da Coreia, um título que trazia tanto oportunidades quanto uma pressão imensa para se encaixar em um molde específico. Em entrevistas antigas, ela mencionava a dificuldade de ser levada a sério como profissional, com muitos a reduzindo apenas à sua aparência. "Havia um desejo constante de provar que eu era mais do que um rosto bonito ou um corpo", ela refletiu em uma conversa para a revista W Korea. Essa busca por legitimidade artística foi, em parte, o que a levou a explorar a atuação, um campo onde esperava que suas habilidades fossem o critério principal.
O contraste com a indústria global e a evolução dos padrões
O relato de Jang sobre a diferença de mentalidade entre a Coreia e o exterior não é isolado. Muitas modelos coreanas que trabalharam no mercado internacional, como Lee Sung Kyung antes de sua carreira de atriz, já comentaram sobre o choque cultural. Enquanto em capitais da moda como Paris ou Milão, a diversidade de corpos e a expressão artística por vezes superavam um conceito puramente sensual, o mercado doméstico coreano dos anos 90 e 2000 era notoriamente mais restritivo e voltado para um ideal específico de beleza. A discussão levantada por Jang faz parte de uma conversa maior que a indústria do entretenimento coreana vem tendo nas últimas décadas, especialmente com o advento da Lei de Prevenção ao Assédio Sexual no Local de Trabalho e movimentos como o #MeToo.
Olhando para trás, eu vejo como a linha entre uma proposta artística ousada e uma solicitação exploratória pode ser muito tênue, especialmente para uma jovem que está apenas começando e quer agradar. A 'confiança' da qual eu falava era, muitas vezes, uma máscara para a ansiedade.
— Jang Yoon Ju, refletindo em seu vídeo
Da passarela para as telas: um refúgio encontrado na atuação
A transição para a atuação não foi imediata nem fácil. Seus primeiros papéis, muitas vezes, ainda capitalizavam em sua imagem de modelo, como em The Naked Kitchen (2009). No entanto, com o tempo, ela conseguiu papéis que demandavam mais dela. Sua atuação em Queen of Tears como a irmã sofrida e resiliente de Hyun Woo foi amplamente elogiada por mostrar uma profundidade emocional que vai muito além da estética. Em um set de drama, o foco é a história e a personagem, um ambiente que, segundo ela, a fez se sentir "protegida por um roteiro e por um diretor", onde suas escolhas eram guiadas pela narrativa, e não por uma percepção superficial do seu corpo.
Essa jornada levanta uma questão importante para os fãs que acompanham a indústria: como apoiar os ídolos e artistas de forma a valorizar seu trabalho integral, e não apenas uma imagem? A história de Jang Yoon Ju serve como um lembrete poderoso de que por trás de cada fotografia glamorosa ou personagem cativante, há uma pessoa navegando por pressões complexas. Sua decisão de falar abertamente agora, a partir de um lugar de mais estabilidade na carreira, pode abrir portas para que outras vozes se sintam encorajadas a compartilhar suas experiências, promovendo um ambiente mais saudável para as próximas gerações de artistas na Coreia e além.
Com informações do: Koreaboo

