Você já ouviu uma música nova e teve aquele estalo de "Ei, isso me lembra outra coisa"? É exatamente isso que está acontecendo com o BTS e a faixa-título do novo álbum ARIRANG, "SWIM". Um debate acalorado sobre suposto plágio tomou conta das redes sociais, dividindo opiniões entre fãs e críticos. Será que a melodia vocal realmente se assemelha a um hit antigo de Jason Derulo, ou é apenas uma coincidência musical?

Recentemente, o BTS lançou seu aguardado álbum ARIRANG, com "SWIM" como carro-chefe. O videoclipe oficial, como sempre, foi um espetáculo à parte, mas a atenção rapidamente se voltou para a composição da música em si.
A Centelha da Polêmica: Um TikTok Viral
Tudo começou com um vídeo do TikToker @jarredjermaine, conhecido por destacar similaridades entre músicas. Em sua publicação, ele colocou lado a lado trechos da melodia vocal de "SWIM" e do refrão de "Ridin' Solo", de Jason Derulo. A intenção declarada era apenas apontar uma semelhança curiosa, algo que ele faz com diversas canções. No entanto, a reação na internet foi imediata e intensa.



O lado da crítica: "Se fosse outro artista..."
Muitos usuários foram além da simples observação e criticaram fortemente o BTS. O cerne da argumentação era um duplo padrão percebido: "Se outros artistas tivessem feito isso, já estariam sendo crucificados por plágio". Comentários sugeriam que o grupo deveria buscar mais originalidade e que os fãs estariam ignorando um problema que, em outras circunstâncias, geraria uma onda de acusações.
A Defesa dos ARMYs: Samples e Inspiração são Normais
Do outro lado, a base de fãs, os ARMYs, saiu em defesa do grupo. Os argumentos principais giram em torno da natureza da criação musical:
Uso de samples é comum: Na indústria musical, especialmente no pop e no hip-hop, o uso de samples (trechos de outras músicas) é uma prática amplamente aceita e licenciada.
Progressões semelhantes: Certas progressões de acordes e estruturas melódicas são recorrentes em milhares de músicas. Uma semelhança não configura plágio, que exige a cópia substancial e não autorizada de uma obra protegida.
Contexto é tudo: Os defensores apontam que a similaridade apontada é vaga e que a música "SWIM", como um todo, possui identidade própria distinta.



Enquanto a HYBE, agência do BTS, não se pronunciou oficialmente sobre as alegações, a discussão continua fervendo nas timelines. Esse caso levanta questões interessantes para nós, fãs de música em geral: onde termina a inspiração e começa a cópia? O peso de uma acusação dessas muda dependendo do tamanho e da popularidade do artista? E, no fim das contas, o que realmente define a originalidade em um cenário musical tão vasto e interconectado?
O que dizem os especialistas em música?
Para tentar entender melhor a situação, é interessante olhar para o que profissionais da área têm a dizer. Em entrevista ao site Music Business Worldwide, um produtor musical que preferiu não se identificar comentou sobre a linha tênue entre inspiração e plágio. "Na prática, especialmente no pop global, é muito comum que melodias 'conversem' entre si. O que define um caso legal de plágio é a cópia substancial e a intenção, algo que só uma análise forense detalhada pode apontar com certeza", explicou.
Outro ponto levantado por especialistas em fóruns de discussão é a própria natureza da música "Ridin' Solo". A progressão melódica em questão é considerada por muitos como um "padrão comum" no R&B e pop dos anos 2000/2010. Seria como acusar várias músicas de rock de plágio por usarem a clássica progressão de acordes I-V-vi-IV. A sensação de "já ouvi isso antes" pode vir mais da familiaridade com um estilo do que de uma cópia direta.
Não é a primeira vez: Um histórico de "coincidências" no K-Pop
Quem acompanha o K-Pop há mais tempo sabe que essa não é a primeira polêmica do tipo a envolver um grupo de grande porte. A indústria coreana, com sua produção em alta velocidade e influência global, frequentemente se vê no centro de debates sobre originalidade.
Casos famosos: Lembram quando o refrão de "Ddu-Du Ddu-Du" do BLACKPINK foi comparado a "I Am The Best" do 2NE1? Ou as inúmeras discussões sobre coreografias "semelhantes" entre grupos diferentes?
Um ecossistema de referências: Muitas vezes, os próprios produtores e coreógrafos trabalham para várias agências, criando um fluxo natural de ideias e estilos que podem parecer familiares.
A pressão da inovação: Com a demanda por lançamentos constantes e conceitos cada vez mais elaborados, a linha entre homenagem, tendência e repetição pode ficar borrada.
Isso nos faz pensar: será que, como fãs, estamos mais atentos e críticos com artistas de nichos específicos, como o K-Pop, do que com o mainstream ocidental? A discussão sobre "SWIM" parece ter um gosto de "já vimos esse filme antes", mas com um elenco ainda maior devido ao tamanho fenomenal do BTS.
O silêncio da HYBE e o barulho das redes
Enquanto a HYBE mantém seu habitual silêncio sobre rumores e polêmicas nas redes sociais – uma estratégia comum para não alimentar fogo –, a conversa entre fãs e haters só cresce. Plataformas como Twitter e TikTok se transformaram em tribunais públicos, com usuários postando suas próprias "análises técnicas", sobrepondo waveforms (formas de onda) das músicas e criando mashups para provar seu ponto.
Alguns criadores de conteúdo, como o canal ReacttotheK, que reúne reações de estudantes de música clássica ao K-Pop, começaram a abordar o tema. Em um vídeo não oficial postado em um fórum, um dos reatores comentou: "Como músico, ouço a semelhança pontual, mas a construção harmônica, a instrumentação e a entrega emocional de 'SWIM' são completamente diferentes. É um exercício interessante para treinar o ouvido, mas longe de ser um caso claro de plágio".
O debate, no fim, transcende o BTS. Ele toca em questões centrais para qualquer fã de música: como consumimos arte na era digital, como julgamos a criatividade e como as comunidades online amplificam (ou distorcem) discussões técnicas. Enquanto uns pedem por um posicionamento oficial, outros seguem apenas curtindo a música – afinal, "SWIM" continua bombando nas playlists e quebrando recordes de streaming, prova de que, para muitos, a polêmica não afetou o prazer de escutar o novo trabalho do grupo.
Com informações do: Koreaboo





