Lembra quando a cor de um grupo de K-pop era apenas uma escolha estética? A HYBE e o BTS acabam de se ver no meio de uma tempestade política por causa de... luzes vermelhas. A preparação para o tão aguardado show no Gwanghwamun Square, em Seul, virou um debate nacional sobre cores e intenções.

Do Roxo ao Vermelho: A Mudança que Acendeu a Polêmica
Todo ARMY sabe: roxo é a cor do BTS. É a cor que ilumina estádios, que define o fandom, que virou sinônimo da conexão entre os artistas e seus fãs. Por isso, quando a Prefeitura de Seul anunciou que 15 pontos turísticos da cidade seriam iluminados de vermelho para celebrar o retorno do grupo, a reação inicial foi de pura confusão. "Por que vermelho?", foi a pergunta que ecoou nas redes sociais.

Mas a confusão rapidamente deu lugar à suspeita. Na Coreia do Sul, o vermelho é a cor oficial do Partido do Poder Popular (PPP), considerado de direita, do qual o atual prefeito de Seul, Oh Se Hoon, é membro. A coincidência foi combustível suficiente para que internautas coreanos começassem a tecer teorias. Será que o evento cultural estava sendo usado como propaganda política disfarçada?
A Prefeitura de Seul está fazendo uma jogada estranha. Eles estão iluminando pontos turísticos para o BTS, mas não é roxo, é vermelho. Eles alegam que é a cor do novo logo, mas estou desconfiado porque vermelho é a cor do PPP (partido de direita), que é o partido do atual prefeito de Seul https://t.co/Ew9P2bxbbS
— 들🪅 (@c_andle) 16 de março de 2026
A Resposta da HYBE: Arte, Não Política
Diante das acusações graves de que estariam permitindo que sua marca fosse instrumentalizada, a HYBE agiu rápido. A empresa emitiu um comunicado oficial esclarecendo a situação de forma direta. O vermelho, explicaram, não tem nada a ver com política. É, na verdade, a cor-chave do novo álbum do BTS, Arirang.

Segundo a empresa, a escolha partiu deles, e a Prefeitura de Seul apenas atendeu ao seu pedido para usar essa tonalidade específica na decoração da cidade. O pedido final do comunicado foi um apelo para que o público evite "interpretações excessivas através de uma lente política" e veja o evento pelo que ele é: uma celebração cultural.
Gostaríamos de informar que a cor vermelha usada no show da Praça Gwanghwamun é a cor-chave do álbum 'Arirang'.
A Prefeitura Metropolitana de Seul também está usando o vermelho de acordo com o pedido da HYBE.
Pedimos gentilmente que este evento cultural público não seja excessivamente interpretado através de uma lente política.
— HYBE
O caso levanta uma questão interessante para nós, fãs: até que ponto a arte dos nossos ídolos pode ser separada do contexto político e social ao seu redor? É possível um evento de tamanha magnitude, patrocinado por uma prefeitura, ser completamente neutro?
Fonte: Sports Seoul
O Peso das Cores na Cultura Coreana
Para entender a dimensão dessa polêmica, é preciso mergulhar um pouco na simbologia das cores na Coreia. O vermelho não é uma cor qualquer. Historicamente, está associado ao taegeuk (o símbolo yin-yang da bandeira coreana), representando o yang, o positivo, o ativo e o masculino. É uma cor de energia e boa sorte, muito usada em celebrações tradicionais. No entanto, no contexto político moderno, essa carga simbólica foi apropriada e redefinida. A associação quase instantânea que os coreanos fizeram entre o vermelho das luzes e o PPP mostra como a polarização política está entranhada no cotidiano, a ponto de contaminar a recepção de um evento cultural.
Por outro lado, a cor roxa do BTS também tem sua própria jornada. Ela não foi escolhida ao acaso. Em uma live histórica, os membros explicaram que o roxo (especificamente a tonalidade "I Purple You") simboliza a confiança e o amor duradouro, uma mistura do azul da estabilidade e do vermelho da paixão. A fidelidade dos ARMYs a essa cor é tão forte que qualquer desvio, como o vermelho de Arirang, pode gerar estranhamento até entre os fãs mais dedicados, sem nem precisar da camada política.
Um Precedente Perigoso: Quando a Cultura Vira Campo de Batalha
Esse não é o primeiro caso em que o BTS ou o K-pop em geral são puxados para o centro de debates políticos. Lembram-se da polêmica com o broche Givenchy usado pelo Jimin, que continha a bandeira japonesa em um período de tensão histórica entre os dois países? Ou das inúmeras vezes em que discursos dos membros em premiações internacionais foram interpretados como posicionamentos políticos sutis? O que o caso das luzes vermelhas revela é um padrão: a dificuldade de separar artistas globalmente influentes do contexto geopolítico de seu país de origem.
O problema não é a cor em si. É a sensação de que nada mais é sagrado, nem mesmo a celebração de um retorno musical há muito esperado. Tudo pode ser instrumentalizado, tudo pode virar um símbolo para uma causa ou um partido. Isso cansa.
— 린 (@rin_kpop_thoughts) 17 de março de 2026
A reação da HYBE foi padrão-ouro em gestão de crise: rápida, clara e focada em redirecionar a narrativa de volta para a arte. Mas será que isso é suficiente? Alguns analistas de mídia apontam que, em uma era de hiperpolarização, a simples negação pode não dissipar as suspeitas. A sombra da dúvida já foi plantada. A pergunta que fica é: em futuros projetos de grande escala com entidades governamentais, a HYBE e outras agências precisarão fazer uma "due diligence" de cores e símbolos para evitar novas associações indesejadas?
E os ARMYs no meio disso tudo?
Enquanto a discussão esquenta nas esferas da mídia e da política, a base de fãs vive uma dicotomia. De um lado, há os ARMYs que ecoam o comunicado da HYBE, defendendo que o foco deve ser a música e a mensagem de Arirang. Eles inundam as timelines com a hashtag #TrustBTS e lembram que o grupo sempre priorizou a arte acima de tudo. Do outro, há uma facção mais cética, especialmente entre fãs internacionais que acompanham a política sul-coreana, que questiona a ingenuidade de acreditar que um evento patrocinado pela prefeitura seja totalmente apolítico.
Nas comunidades online, o debate é fervilhante. Alguns posts apontam para a ironia: "O BTS canta sobre amor próprio, superar adversidades e conectar o mundo, e agora estamos discutindo se a cor da luz do palco é de esquerda ou de direita. Algo está muito errado." Outros trazem um ponto prático: a cor do novo álbum já estava presente no logo e nos teasers, então a escolha do vermelho para a cidade fazia sentido puramente artístico. A divisão mostra como o fandom, por mais unido que seja em seu amor pelos artistas, não é um monólito e reflete as complexidades do mundo lá fora.
Fonte para contexto histórico das cores: Korea.net
Com informações do: Koreaboo





