Você já parou para pensar em quem está na multidão que lota os shows do BTS? Uma análise recente dos dados do aguardado concerto de retorno (comeback) do grupo em Gwanghwamun trouxe um dado que está dando o que falar: a maior parte do público era formada por pessoas na casa dos 40 anos. Será que o coração do ARMY está batendo mais devagar?
Os números por trás da multidão
De acordo com a empresa de análise de dados IGAWorks, mais de 160 mil pessoas circularam na área do concerto em um período de cinco horas. O detalhe curioso? A faixa etária que mais se destacou foi a de mulheres na casa dos 40 anos, representando 21,79% do total. Homens na mesma faixa também apareceram com força (13,30%). Juntos, o público dos 30 aos 50 anos formou o núcleo duro da plateia, enquanto a presença de adolescentes e jovens na casa dos 20 foi relativamente menor.
É claro que nem todo mundo que passou por Gwanghwamun naquele dia era necessariamente um fã do BTS. Mas, considerando o controle policial e o clima de evento massivo, é seguro dizer que a grande maioria estava lá por causa dos ídolos. Isso levanta uma questão interessante: o fenômeno K-pop, antes visto como território quase exclusivo dos mais jovens, está conquistando corações (e carteiras) mais maduros.
O que os netizens estão dizendo?
Nas comunidades online, como o theqoo, a reação foi de espanto e muita discussão. Alguns comentários destacaram que a base de fãs do BTS parece até mais velha do que a de grupos da 3ª geração do K-pop. Outros levantaram um ponto polêmico: será que a empresa está falhando em atrair um público mais novo?
Alguns dos comentários que viralizaram foram:
- "Nossa..."
- "Eu fã de um grupo da 2.5 geração, a maioria dos fãs tem 20 e 30 anos... Acho que a base de fãs deles é mais velha que a média. Até se comparar com ídolos da 3ª geração."
- "É parecido com a base de fãs de cantores de trot."
- "É porque eles só fingem que estão se expandindo e são delulu, mas não fazem nada para fazer os fãs mais jovens entrarem no fandom e todo mundo está apenas saindo."
O fandom que cresceu (e amadureceu) junto
Há um fator óbvio e inegável nessa equação: o tempo. O BTS está na estrada há mais de uma década. Os adolescentes e jovens adultos que os descobriram no início da carreira agora são... bem, adultos de verdade, com carreira, família e um poder de compra consideravelmente maior. Um especialista do setor comentou que essa mudança demográfica pode influenciar não só o mercado de concertos, mas toda a estrutura de consumo de conteúdo do grupo no futuro.
O que isso significa para o futuro do BTS e do K-pop? A paixão de um fandom é medida pela idade ou pela intensidade? Enquanto alguns veem os dados com preocupação, outros celebram a lealdade de um público que acompanha os ídolos há anos, transformando o ARMY em uma comunidade multigeracional única.
O impacto no mercado e na indústria
Essa mudança demográfica não é apenas uma curiosidade estatística. Ela tem implicações reais e profundas para a indústria do entretenimento. Um público mais velho geralmente possui um poder aquisitivo mais estável e maior. Isso se reflete não só na venda de ingressos para shows — que, no caso do BTS, já são eventos de grande escala e alto custo — mas também no consumo de produtos licenciados, álbuns físicos (incluindo as várias versões de cada comeback) e até no engajamento com patrocinadores de luxo que o grupo representa, como a Louis Vuitton.
Por outro lado, a aparente dificuldade em atrair uma nova leva de fãs adolescentes, a chamada "geração Z mais nova" ou "Alpha", coloca uma questão estratégica para a HYBE. Será que o conteúdo e a imagem do BTS, que amadureceu junto com seus membros e fãs originais, ainda ressoa com quem está descobrindo o K-pop agora através do TikTok? A concorrência com grupos da 4ª e emergente 5ª geração, que falam diretamente a essa audiência, é feroz.
O fenômeno do "fandom herdado" e a nostalgia
Outro aspecto interessante que surge dessa discussão é o conceito do "fandom herdado". Com pais e mães na casa dos 30 e 40 anos que são ARMYs fervorosos, é natural que muitas crianças cresçam em um ambiente onde a música do BTS é parte da rotina familiar. Esse é um tipo de captação de fãs totalmente orgânico e poderoso, que pode garantir a relevância do grupo para a próxima década, mesmo que de uma forma diferente.
Além disso, não podemos subestimar o poder da nostalgia. Para muitos daqueles fãs na casa dos 40, o BTS não é apenas um grupo musical; é a trilha sonora de uma fase específica de suas vidas — a juventude, a faculdade, os primeiros empregos. Acompanhar o comeback do grupo pode ser um ritual de reconexão com essa época, uma forma de reviver emoções passadas com a maturidade do presente. Isso cria um vínculo emocional profundamente enraizado, que vai muito além da moda passageira.
O que você acha? Essa maturidade do fandom é uma força ou uma fraqueza para o futuro do BTS? A paixão de um ARMY de 45 anos, que compra ingresso, álbum e leva a família ao show, vale menos ou mais do que o engajamento frenético de um adolescente nas redes sociais? A verdade é que o mapa do ARMY está se redesenhando, e é fascinante (e um pouco assustador) acompanhar essa evolução em tempo real.
Com informações do: Koreaboo





