O que acontece quando o grupo de K-pop mais popular do mundo encerra uma turnê mundial com lágrimas e um nome como "DEADLINE" (Prazo Final)? O caos nas redes sociais, é claro. As ações das integrantes do BLACKPINK no show final em Hong Kong deixaram os fãs, os Blinks, em um verdadeiro turbilhão de especulações sobre o futuro do grupo.

Um Final Emocionante (e Alarmante)
No dia 26 de janeiro, o BLACKPINK realizou a apresentação final da turnê DEADLINE em Hong Kong. O que era para ser uma celebração se transformou em um momento carregado de emoção. Vídeos que viralizaram rapidamente mostraram Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa visivelmente emocionadas, algumas até chorando no palco, enquanto se confortavam.
Para qualquer fã, ver seus ídolos tão emotivos no último show de uma grande turnê já é de cortar o coração. Mas o timing fez com que essas lágrimas fossem interpretadas como algo muito maior. Afinal, os contratos exclusivas das integrantes com a YG Entertainment se encerram ainda em 2026, e até agora não houve um anúncio oficial sobre a renovação em grupo.
A Reação dos Blinks: Pânico vs. Ponderação
O Twitter (ou X) virou um campo de batalha de teorias. De um lado, os fãs temiam o pior:
"Hoje pode potencialmente ser a última vez que o BLACKPINK se apresenta como um grupo OT4 no palco", tuitou uma conta de notícias de turnê.
Muitos posts com frases como "Por favor, não se separem" e "Então somos oficialmente fãs de um grupo desfeito?" dominaram o feed.
Do outro lado, Blinks mais ponderados tentavam acalmar os ânimos, trazendo contexto:
Rosé, durante o show, disse: "Precisamos absorver cada momento, porque vamos sentir falta dessa atmosfera por um tempo". Isso foi interpretado por muitos como um indicativo de uma pausa longa das turnês, não do fim do grupo.
"O BLACKPINK não vai se separar, mas as quatro no palco juntas? Não sei, vamos esperar mais 3, 5, 8 anos??", refletiu uma fã, lembrando que a prioridade agora pode ser as carreiras solo.
Outros lembraram um fato crucial: as meninas sempre choram no último dia de toda turnê. É a despedida de meses de trabalho intenso, não necessariamente uma despedida definitiva.

O Verdadeiro "Prazo Final"
No fim das contas, a especulação nasce de um vácuo de informação. A YG Entertainment e o BLACKPINK mantêm um silêncio ensurdecedor sobre as negociações contratuais. Enquanto a agência não se pronunciar e as próprias artistas não derem uma palavra final, cada lágrima, cada discurso emocionado e cada pausa entre atividades em grupo será dissecado pelos fãs e pela mídia.
O que sabemos é que o cenário do K-pop mudou. As integrantes do BLACKPINK construíram marcas solo fortíssimas e têm agendas internacionais lotadas. A pergunta que fica no ar, alimentando toda essa ansiedade, não é apenas "Elas vão renovar?", mas "Como elas vão renovar?".
O Peso de um Nome: Por que "DEADLINE"?
Não dá para ignorar a escolha do nome da turnê. Enquanto outras turnês do grupo tinham títulos como "In Your Area" ou "The Show", "DEADLINE" carrega uma conotação de urgência e fim iminente que, em retrospecto, parece quase profética. Será que foi uma escolha artística ousada ou um sinal subliminar do que estava por vir? Alguns analistas de fandom apontam que a YG tem histórico de usar pistas em comunicações oficiais, mas será que os fãs estão lendo demais em um simples nome?
Vale lembrar que o K-pop opera em ciclos contratuais muito rígidos. O contrato padrão de "escravidão" de 7 anos, que prende os idols às suas agências, foi reformado, mas a pressão por renovação em grupos veteranos é imensa. O BLACKPINK já ultrapassou esse marco inicial, entrando em um território onde cada decisão é negociada com muito mais poder por parte das artistas – e isso inclui o nome de uma turnê mundial.
O Cenário das Carreiras Solo: Concorrência Interna?
Um fator crucial que alimenta a especulação é o sucesso individual indiscutível de cada membro. Jennie com sua marca ODD ATELIER e presença fashion global, Lisa dominando o cenário internacional com colaborações ocidentais, Rosé estabelecendo-se como uma artista solo musicalmente respeitada, e Jisoo brilhando em dramas e como embaixadora de luxo. Elas não são mais apenas "integrantes do BLACKPINK"; são marcas por si só.
O que isso significa para a dinâmica do grupo? No passado, a agência controlava rigidamente as atividades solo para não "cannibalizar" o sucesso do grupo. Hoje, a pergunta que muitos especialistas da indústria fazem é: As agendas solo das meninas são complementares ou concorrentes com a agenda do BLACKPINK? Logística é um monstro. Encaixar os compromissos individuais de quatro das artistas mais requisitadas do mundo para gravar um álbum ou fazer uma turnê de 6 meses se torna um quebra-cabeça quase impossível.
Lisa passou boa parte do último ano entre Paris, os EUA e a Tailândia, gravando e participando de eventos.
Jennie está constantemente entre Coreia, EUA e Europa para compromissos de moda e gravações.
Rosé tem focado em seu próprio som e desenvolvimento musical, com sessões de estúdio que demandam tempo concentrado.
Jisoo mergulhou de cabeça em sua carreira de atriz, que exige longos períodos de filmagem.
Como uma agência – ou mesmo as próprias artistas – coordenam isso para priorizar o grupo? A resposta pode estar em um novo modelo de operação.
Um Novo Modelo para um Novo Tempo: O Exemplo de Outros Grupos
Talvez a pergunta não seja "separar ou não separar", mas "como continuar de uma forma diferente". O K-pop já viu grupos veteranos navegarem por águas similares. O Girls' Generation, por exemplo, após anos no topo, adotou um formato onde as integrantes, agora em agências diferentes, se reúnem esporadicamente para lançamentos especiais e shows de aniversário. É menos sobre uma presença constante e mais sobre momentos icônicos e comemorativos.
O próprio BIGBANG, grupo veterano da YG, seguiu um caminho parecido, com foco intenso em carreiras solo e reuniões pontuais. Será esse o futuro mais provável para o BLACKPINK? Um grupo que não "acaba", mas que entra em um estado de hibernação ativa, com os membros focando em seus projetos individuais e se reunindo para álbuns especiais a cada dois ou três anos, ou para uma mega-turnê mundial a cada ciclo?
Esse modelo tem vantagens: alivia a pressão logística, permite que as artistas explorem suas individualidades ao máximo e mantém a mística e a demanda pelo grupo sempre alta. Mas também tem um custo emocional para os fãs que estão acostumados a uma presença mais constante. Os Blinks estariam dispostos a trocar a certeza por momentos de puro êxtase, mesmo que esparsos?
O Silêncio da YG: Estratégia ou Descontrole?
O comportamento da YG Entertainment é, por si só, um capítulo nessa novela. A agência, conhecida por seu controle férreo sobre a narrativa, tem se mostrado estranhamente quieta. Em um mercado onde vazamentos e "spoilers" são comuns, o muro de silêncio em torno das negociações com o BLACKPINK é quase inédito. Isso é sinal de que as negociações são tão complexas e delicadas que qualquer palavra pode quebrar um acordo frágil? Ou é uma estratégia calculada para manter o grupo – e suas ações – em todos os headlines, mesmo sem atividade?
Alguns críticos apontam que a YG pode estar perdendo a mão. A saída de artistas importantes nos últimos anos e a dificuldade em lançar novos sucessos no mesmo nível colocam uma pressão enorme para reter o BLACKPINK, o carro-chefe absoluto da empresa. A falta de comunicação transparente pode ser um tiro pela culatra, alimentando a ansiedade dos fãs e a especulação negativa da mídia, o que, no final, desvaloriza a marca que tanto querem proteger.
Enquanto isso, o mercado observa. Outras agências grandes certamente estão de olho no desfecho, vendo nele um precedente para como lidar com suas próprias estrelas globais quando chegarem a esse ponto de maturidade e poder de barganha. O resultado das negociações do BLACKPINK pode redefinir as regras do jogo para toda a indústria do K-pop.
Com informações do: Koreaboo


