Você já parou para pensar como uma simples legenda pode incendiar uma comunidade inteira? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu com o RIIZE e seu membro Eunseok. O que era para ser uma postagem fofa de Dia das Crianças se transformou em uma tempestade de ódio e racismo. Vamos entender o que rolou.
O estopim: a foto de infância e a legenda polêmica
No último Dia das Crianças na Coreia, Eunseok compartilhou fotos suas quando pequeno. A ideia era celebrar a data, mas uma das legendas que ele usou — "kkamdoongie" — causou um rebuliço enorme. O termo é considerado um insulto racial na Coreia, frequentemente comparado ao "N-word" em inglês. A comunidade internacional de fãs não perdoou e o assunto explodiu nas redes.
Enquanto alguns fãs tentavam defender o idol, dizendo que ele não sabia o peso da palavra, outros apontaram que, como figura pública, ele deveria ter mais cuidado. A situação escalou rapidamente.
A comunidade se divide: entre defesa e ataques racistas
O que se viu depois foi uma verdadeira guerra nos fóruns e comunidades do grupo. De um lado, fãs tentando explicar o contexto cultural coreano e pedindo calma. Do outro, uma enxurrada de mensagens racistas contra o próprio Eunseok e até contra outros membros do RIIZE. Sim, a comunidade que deveria apoiar o grupo se encheu de discursos de ódio.
Muitos usuários começaram a atacar o visual dos integrantes, usar termos pejorativos e até mesmo desejar o fim do grupo. Foi um caos. A situação ficou tão feia que fãs brasileiros e de outros países se uniram para denunciar os comentários e tentar limpar as timelines.
É triste ver como uma polêmica, que poderia ser resolvida com um pedido de desculpas sincero e um aprendizado, se transforma em um vale-tudo de agressões. A pergunta que fica é: até onde vai a responsabilidade de um ídolo e onde começa a do fã?
O que podemos aprender com isso?
Casos como esse nos lembram que o K-pop não está isolado do mundo real. A cultura coreana tem suas próprias nuances e termos que, para nós de fora, podem passar despercebidos, mas que carregam um peso histórico enorme. Ao mesmo tempo, a reação da comunidade internacional mostra que não dá mais para ignorar questões raciais, mesmo quando vêm de um país com uma realidade diferente.
Para nós, fãs de cultura asiática, fica o alerta: é importante estudar e respeitar as culturas que consumimos, mas também cobrar que os artistas estejam abertos ao diálogo e ao aprendizado. E, acima de tudo, nunca usar uma polêmica como desculpa para espalhar ainda mais ódio.
Enquanto isso, a SM Entertainment, gravadora do RIIZE, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Os fãs aguardam um posicionamento claro, seja um pedido de desculpas de Eunseok ou uma explicação mais detalhada sobre o contexto. Até lá, a comunidade segue dividida, com alguns pedindo boicote ao grupo e outros tentando proteger a imagem do idol.
O papel das redes sociais na amplificação do ódio
Se tem uma coisa que as redes sociais sabem fazer bem é pegar uma faísca e transformar em um incêndio. No caso do RIIZE, não foi diferente. O que começou como uma crítica legítima ao uso de um termo racista rapidamente se transformou em uma enxurrada de ataques pessoais. Hashtags como #RIIZEOUT e #EunseokApologize começaram a bombar no Twitter, mas junto com elas vieram mensagens de ódio contra outros membros, como Shotaro e Wonbin, que nem estavam envolvidos na polêmica.
É bizarro como, em questão de horas, a comunidade de fãs se transforma em um campo de batalha. Você vê pessoas que antes compartilhavam fanarts e teorias sobre os MV agora se xingando e se bloqueando. E o pior: muitos desses ataques vêm de contas que se dizem "protetoras" do grupo. Ironia, né?
Para quem é fã de K-pop há mais tempo, isso infelizmente não é novidade. Lembram do caso do Jay Park? Ou das polêmicas envolvendo o BTS com termos culturais? A diferença é que, hoje, com a globalização do fandom, qualquer deslize vira notícia mundial em minutos. E aí, a pressão sobre os idols — e sobre os fãs — fica ainda maior.
Eunseok: vítima ou culpado?
Essa é a pergunta que não quer calar. Para muitos fãs coreanos, o termo "kkamdoongie" é usado de forma tão corriqueira que nem passa pela cabeça que pode ser ofensivo. É como no Brasil, onde algumas pessoas ainda usam "denegrir" sem saber a origem racista da palavra. Mas, para a comunidade internacional, especialmente fãs negros, não há desculpa. O termo é um insulto direto e ponto final.
Eunseok, que tem apenas 22 anos e está no grupo há menos de um ano, pode ter cometido um erro por ignorância. Mas, como idol, ele tem uma responsabilidade enorme. Cada post, cada legenda, cada gesto é analisado. E, infelizmente, a desculpa da "falta de conhecimento" não cola mais, especialmente em um grupo que tem fãs no mundo inteiro.
O que me deixa pensativo é: será que a SM Entertainment não prepara os idols para essas situações? Com tantos casos de polêmicas raciais no K-pop, não deveria haver um treinamento mais específico sobre o que postar e o que evitar? Parece que as empresas ainda estão aprendendo a lidar com a diversidade do fandom global.
Com informações do: Koreaboo





