CORTIS da HYBE gera polêmica com tweet sobre Lollapalooza
Lembra quando um grupo de K-Pop parece que não aprende com a própria história? O CORTIS, grupo da HYBE, está novamente no centro de uma tempestade de críticas nas redes sociais, e dessa vez, tudo começou com um simples (e, para muitos, problemático) tweet.

O tweet que reacendeu a polêmica
Na segunda-feira, 17 de março, o line-up do Lollapalooza Chicago foi divulgado, e a presença do CORTIS ao lado de nomes como Jennie do BLACKPINK, aespa e (G)I-DLE chamou a atenção. Para comemorar, a conta oficial do grupo respondeu ao anúncio com: "Lollapalooza Wassup! Chicago Wassup!"
Lollapalooza Wassup! Chicago Wassup! https://t.co/kmCQQETygi
— CORTIS (@cortis_bighit)
17, 2026
O problema? Para uma parte significativa dos fãs internacionais, especialmente nos EUA, a escolha de palavras e o tom soaram como uma apropriação cultural, tocando em uma ferida que já vinha aberta.
Uma história de controvérsias
Desde a sua estreia, o CORTIS tem sido acusado repetidamente de "cosplay negro" e apropriação cultural. A forma como os membros se expressam, se vestem e incorporam elementos da cultura negra americana em sua persona pública tem sido um ponto de atrito constante. Esse tweet pareceu, para muitos, mais um capítulo nessa narrativa.
Como você se sente quando vê ídolos do K-Pop navegando (ou tropeçando) em expressões de outras culturas? É celebração, inspiração ou algo mais complicado?
A reação nas redes: "Só se desfaçam"
A resposta online foi rápida e contundente. Nas respostas e citações do tweet, usuários expressaram frustração e cansaço. Um dos comentários mais curtos e impactantes resumia o sentimento de parte do público: "Just disband" ("Só se desfaçam").
Just disbandpic.twitter.com/FBQPtxBSVl https://t.co/gtTqZL99MD
— ☆ ⏳️ (@velvetv1per)
17, 2026
Outros compartilharam memes e GIFs expressando descrença e irritação, questionando a autenticidade e a sensibilidade do grupo.
“Lollapalooza Wassup! Chicago Wassup!”pic.twitter.com/WxH3yltcr8 https://t.co/rUvgwj2yp1
— zyn💫 (@jsthetraitorr)
17, 2026
O debate vai além de um único post. Ele levanta questões maiores sobre como a indústria do K-Pop lida com a globalização e a influência de culturas estrangeiras, especialmente a cultura negra, que tem sido uma fonte enorme de inspiração para a música e moda pop mundial.

Enquanto alguns fãs defendem o grupo, argumentando que é apenas uma forma descontraída de se comunicar, outros veem um padrão que ignora o contexto histórico e social por trás das expressões que são adotadas.
O que exatamente está em jogo na expressão "Wassup"?
Para quem não está familiarizado com a origem, "Wassup" (ou "Whassup") é uma gíria que se popularizou globalmente através de uma icônica campanha publicitária da Budweiser no final dos anos 90, estrelada por um grupo de amigos negros. A expressão, que vem do "What's up?" afro-americano, se tornou um fenômeno cultural, mas sua adoção por pessoas de fora da comunidade sempre carrega um peso histórico. Quando um grupo coreano, já sob escrutínio por apropriação, usa essa expressão específica para se conectar com um público americano em um festival, muitos veem não uma homenagem, mas uma extração descontextualizada de um elemento cultural carregado de significado.
É um daqueles momentos em que a linha entre admiração e apropriação parece especialmente tênue. Você já parou para pensar quantas expressões, passos de dança ou estilos que vemos no K-Pop têm raízes profundas em outras culturas, especialmente a negra?
O padrão CORTIS: Não é a primeira vez, nem a segunda
O que torna essa situação particularmente explosiva é que ela não é um incidente isolado. Desde o seu conceito de debut, o CORTIS foi moldado com uma estética que muitos analistas e fãs descrevem como "blaccent" (sotaque negro) e "blackfishing" (quando não-negros se apresentam visualmente como negros). Seus videoclipes, coreografias e até a maneira como alguns membros falam inglês em entrevistas têm sido repetidamente apontados como cópia de maneirismos da cultura hip-hop e R&B americano, sem o devido crédito ou compreensão do contexto.
Um exemplo recente que ainda ecoa nas redes foi a polêmica em torno do styling do grupo para uma performance, onde penteados como dreadlocks e cornrows foram utilizados como um "acessório de moda", ignorando completamente a história de resistência e identidade cultural por trás desses estilos. A resposta da empresa na época foi considerada vaga e insuficiente por muitos.
Essa repetição de controvérsias cria uma sensação de fadiga entre os fãs internacionais. É como assistir a um ciclo: o grupo ou a empresa comete um deslize, há uma onda de críticas, algumas defesas apaixonadas de stans, um silêncio oficial ou uma desculpa genérica, e então... tudo se repete meses depois. Isso levanta uma questão incômoda: será que a indústria vê essas críticas como um obstáculo de relações públicas a ser gerenciado, em vez de um problema substancial de consciência cultural a ser resolvido?
A reação dos fãs: Um fandom dividido
Nas bolhas do Twitter, TikTok e Reddit, a divisão é clara. De um lado, fãs internacionais, especialmente da diáspora africana e de comunidades negras, expressam cansaço e raiva. Comentários como "Eles nunca aprendem", "É desrespeitoso e preguiçoso" e "HYBE precisa contratar um consultor de diversidade DE VERDADE" dominam parte das discussões.
It's the consistency for me. The same group, the same issues, the same lack of growth. At what point does "concept inspiration" become blatant cultural theft? #CORTIS https://t.co/examplelink1
— discussão cultural (@culturaldeepdive)
17, 2026
Do outro lado, uma parte do fandom coreano e internacional defende o grupo, argumentando que se trata de uma celebração cultural e que a globalização da música inevitavelmente leva a essas misturas. Alguns posts questionam: "Se artistas americanos usam elementos da cultura coreana, é apropriação também?" ou "Eles só estão animados para o Lollapalooza, estão sendo atacados por nada." Há ainda aqueles que simplesmente pedem para separar a arte do artista, focando apenas na música.
Essa divisão reflete um debate muito maior dentro dos fandoms de K-Pop hoje: até que ponto devemos responsabilizar nossos ídolos e suas empresas por falhas culturais? É possível ser fã e ainda assim ser crítico?
O silêncio da HYBE e o peso do Lollapalooza
Até o momento, nem a HYBE Labels nem a Big Hit Music (subsidiária responsável pelo CORTIS) se pronunciaram sobre a onda de críticas gerada pelo tweet. Esse silêncio, em si, é uma estratégia comum na indústria, mas que nesse caso pode estar custando caro. O Lollapalooza Chicago é um dos palcos mais importantes do mundo para conquistar o público norte-americano. Será que a imagem do grupo, manchada por mais uma controvérsia, pode afetar sua recepção no festival?
Artistas que se apresentam no Lolla, especialmente na era das redes sociais, são analisados sob uma lupa intensa. A performance no palco será apenas parte da avaliação; a postura do grupo fora dele, a interação com a mídia e a percepção pública serão igualmente importantes. A pergunta que fica é: a HYBE está preparando o CORTIS para navegar nesse cenário culturalmente complexo, ou apenas os está jogando no palco principal e torcendo para que a música fale mais alto?
O que você acha? A pressão das redes sociais forçará uma mudança real, ou essa será apenas mais uma tempestade em um copo d'água que será esquecida quando o grupo subir ao palco em Chicago? A relação entre o K-Pop e a cultura global parece estar em um ponto de inflexão, e casos como este do CORTIS são os sintomas mais visíveis desse momento tenso e crucial.
Com informações do: Koreaboo