Você já parou para pensar em como uma simples linha nos créditos de um álbum pode virar um verdadeiro campo de batalha nas redes sociais? É exatamente isso que está acontecendo com EJAE, a talentosa voz por trás da personagem Rumi no filme da Netflix, KPop Demon Hunters. Depois de ganhar os holofotes ao co-escrever "GOLDEN", a faixa-título do filme que virou hit, ela agora se vê no centro de uma tempestade por seu envolvimento no novo trabalho do BLACKPINK.

EJAE, a voz de Rumi em KPop Demon Hunters, está sob críticas

De produtora de hits a alvo de críticas

Antes de emprestar sua voz a Rumi, EJAE já era um nome respeitado nos bastidores do K-Pop. Quem não se lembra do sucesso estrondoso de "Psycho" do Red Velvet? Pois é, ela estava lá, na produção. Agora, os olhos atentos dos fãs notaram seu nome nos créditos de "Champion", uma das faixas do novo álbum do BLACKPINK. O problema? Na mesma faixa, também consta o nome do produtor Dr. Luke.

Para quem não está por dentro da polêmica, Dr. Luke é uma figura extremamente divisiva na indústria musical há anos, principalmente devido às acusações de agressão sexual feitas pela cantora Kesha em 2014 – alegações que ele sempre negou. O caso só foi resolvido com um acordo em 2023. O BLACKPINK já havia enfrentado backlash anterior por trabalhar com ele, e agora parte da ira dos fãs se voltou para EJAE.

A reação nas redes: indignação e questionamentos

O Twitter (ou X, para os íntimos) virou um palco de debates acalorados. De um lado, a indignação pura:

  • "EJAE, a voz de Rumi, compôs nova música para o Blackpink com o conhecido agressor Dr. Luke... Isso dá um novo significado à antiga hashtag #SonySupportsRape", disparou um usuário.

  • "Vamos falar sobre a EJAE compondo músicas com o Dr. Luke...", questionou outra fã.

Mas, como em qualquer boa trama de anime, nem tudo é preto no branco. Surgiu também um grupo defendendo a artista, levantando um ponto crucial do processo criativo.

A defesa: será que houve colaboração direta?

Alguns fãs e observadores tentam colocar um pouco de razão no calor do momento. Eles argumentam que créditos de produção em um álbum não necessariamente significam que todos os envolvidos trabalharam juntos, na mesma sala.

  • "A EJAE sempre disse em entrevistas que não gosta de fazer sessões em estúdios porque não quer que suas melodias sejam influenciadas por outras pessoas enquanto compõe. Não acho que ela tenha cooperado/dirigidamente colaborado com o Dr. Luke na criação desta música", ponderou uma usuária, lembrando das declarações passadas da artista.

  • Outros especulam: será que ela apenas recebeu a base instrumental pronta, sem um trabalho colaborativo de fato?

Essa nuance levanta uma questão que vai além desse caso específico: até que ponto um artista é responsável por todos os nomes que aparecem ao lado do seu nos créditos? No mundo da indústria musical, especialmente em produções de grande escala como as de um grupo do calibre do BLACKPINK, as dinâmicas de criação podem ser complexas e fragmentadas.

Essa complexidade nos bastidores é algo que raramente vemos em animes ou dramas, onde a criação é frequentemente romantizada como um processo solitário de um gênio. Na realidade, é mais como uma linha de montagem criativa, com peças chegando de diferentes lugares. E é aí que mora o perigo para a imagem pública de alguém como a EJAE.

O peso dos créditos e a "culpa por associação" na indústria do entretenimento

Esse não é um dilema exclusivo do K-Pop. Lembra daquela polêmica envolvendo um estúdio de animação japonês e um diretor acusado de assédio? Os fãs começaram a boicotar não só o diretor, mas todos os animadores e roteiristas que trabalharam no projeto. É uma espécie de "culpa por associação" que se espalha como um efeito dominó. No caso da EJAE, a situação é ainda mais delicada porque ela não é apenas uma produtora de bastidores – ela agora é a voz de um personagem amado em uma produção da Netflix, KPop Demon Hunters, que tem um público global e diversificado.

Alguns fãs estão traçando paralelos com situações que já vimos no mundo dos animes. Quando um seiyū (dublador) se envolve em um escândalo, as reações são imediatas e, muitas vezes, devastadoras para a carreira. A diferença é que, no caso da EJAE, o "escândalo" não é uma ação direta dela, mas sua proximidade – mesmo que apenas nominal – com uma figura controversa. Isso nos faz questionar: onde traçamos a linha da responsabilidade ética de um artista?

O silêncio que fala mais alto: a falta de posicionamento

Enquanto a discussão ferve nas redes, um elemento tem chamado a atenção: o silêncio da própria EJAE. Até o momento, ela não se manifestou publicamente sobre os créditos no álbum do BLACKPINK ou sobre a colaboração com Dr. Luke. Na era da "cancel culture", o silêncio pode ser interpretado de várias maneiras. Para alguns, é uma admissão tácita de culpa ou, no mínimo, de uma escolha profissional questionável. Para outros, é uma postura prudente de quem não quer alimentar ainda mais a fogueira.

Mas esse silêncio também cria um vácuo que é preenchido por especulações e teorias. Fãs estão vasculhando entrevistas antigas, como aquela em que ela falou sobre seu processo criativo solitário para a AllKpop, tentando encontrar pistas que confirmem ou neguem um trabalho colaborativo direto. Sem uma declaração oficial, a narrativa fica completamente nas mãos da comunidade.

  • Será que um posicionamento claro poderia acalmar os ânimos, ou só jogaria mais gasolina no fogo?

  • Até que ponto uma artista em ascensão tem a liberdade de escolher com quem trabalha em projetos de grande magnitude como os do BLACKPINK?

  • Estaríamos testemunhando um caso clássico de "matar o mensageiro", onde a ira que deveria ser direcionada a uma grande corporação (como a YG Entertainment) acaba recaindo sobre um indivíduo?

O impacto no futuro: KPop Demon Hunters e além

O timing dessa polêmica não poderia ser pior para a EJAE. KPop Demon Hunters ainda é uma propriedade relativamente nova, e o sucesso de Rumi como personagem está intrinsecamente ligado à voz e à persona da artista por trás dela. A Netflix e os produtores do filme agora devem estar de cabelo em pé, monitorando de perto a repercussão. Será que a imagem de Rumi pode ser manchada por associação, assim como a da EJAE?

E não para por aí. O futuro profissional da EJAE como compositora para outros idols do K-Pop também entra em jogo. Em uma indústria onde a opinião pública e o engajamento dos fãs são moedas de troca valiosíssimas, ser marcada como "a que trabalhou com Dr. Luke" pode fechar portas. Por outro lado, se a defesa dela prevalecer – a de que foi um crédito técnico, sem colaboração efetiva – isso poderia até solidificar sua imagem como uma profissional focada apenas na música, alheia a politicagens de estúdio.

Enquanto isso, a discussão segue seu curso, levantando questões incômodas sobre como consumimos cultura pop. Nós, fãs de anime e K-Pop, muitas vezes idealizamos os criadores por trás das obras que amamos. Queremos que os seiyūs sejam tão puros quanto os heróis que dublam, que os compositores tenham a mesma integridade das letras inspiradoras que escrevem. A realidade, como a polêmica da EJAE está mostrando, é quase sempre mais cinzenta e complicada. O que fazemos quando o artista por trás da arte que adoramos faz uma escolha que consideramos errada? Boicotamos a arte? Separamos o artista da obra? Ou simplesmente ignoramos e seguimos em frente, focando apenas no produto final?

Com informações do: Koreaboo