Se você acompanha o mundo do K-pop, já sabe que a linha entre fã e stalker é, infelizmente, muito tênue. Mas o que aconteceu com o RIIZE durante uma passagem por Xangai deixou todo mundo de queixo caído — e não foi por um bom motivo. Vídeos perturbadores mostrando perseguição intensa e invasão de espaço pessoal viralizaram nas redes, acendendo um alerta enorme sobre a segurança dos artistas.

O que rolou em Xangai?

O grupo chegou na cidade chinesa no dia 6 de junho para um fan signing de lançamento de álbum. O que era pra ser um evento tranquilo virou um pesadelo logístico e emocional. Vários vídeos que circularam mostram fãs — ou melhor, pessoas se passando por fãs — seguindo os membros de forma agressiva, gravando cada passo, invadindo o espaço pessoal e criando uma situação de risco real.

Em um dos clipes, é possível ver membros do RIIZE claramente desconfortáveis, tentando se proteger enquanto uma multidão os cerca. Outro vídeo mostra um indivíduo usando um celular escondido para filmar de perto, quase colado nos artistas. A sensação de impotência e vulnerabilidade é palpável.

Stalking no K-pop: um problema que não é novo

Infelizmente, o RIIZE não é o primeiro grupo a passar por isso. O histórico de stalking no K-pop é longo e preocupante. Lembra do caso do Jinyoung do GOT7? Ou das perseguições constantes que o BTS sofreu nos primeiros anos? A diferença é que, com as redes sociais, esses episódios ganham uma proporção ainda maior e mais rápida.

O que chama a atenção nesse caso específico é a frieza com que os stalkers agem. Não há vergonha, não há receio. Eles gravam, postam e ainda se orgulham. É um comportamento que vai além do fanatismo — é uma violação clara de direitos e da dignidade dos artistas.

E aí, será que as gravadoras estão fazendo o suficiente pra proteger os ídolos? Ou a segurança em eventos internacionais ainda é tratada como um detalhe?

O papel das fãs na proteção dos ídolos

Enquanto as empresas e a polícia tentam lidar com a situação, uma parte da discussão tem recaído sobre o comportamento das próprias fãs. E não, não estou falando de culpar a vítima — longe disso. Mas a verdade é que, em muitos casos, a multidão que cerca os artistas poderia agir de forma mais consciente. Já pensou se, em vez de filmar o stalker, as pessoas ao redor se unissem para bloquear a gravação ou chamar a segurança?

Infelizmente, o que vemos é o contrário: muitos fãs acabam, sem querer, alimentando o ciclo. Ao compartilhar os vídeos virais sem contexto, ou ao comentar com indignação mas sem ação, a gente acaba dando palco pra esse tipo de comportamento. É um paradoxo difícil de quebrar.

O que a SM Entertainment fez até agora?

A SM Entertainment, gravadora do RIIZE, emitiu um comunicado oficial após a viralização dos vídeos. Nele, a empresa afirma estar tomando medidas legais contra os stalkers identificados e reforça que a segurança dos artistas é prioridade. Mas, convenhamos, isso soa meio vazio quando a gente vê as imagens. Promessas de ação são importantes, mas o que realmente muda quando o próximo evento internacional acontecer?

Além disso, a SM anunciou que vai reforçar o esquema de segurança em futuras viagens do grupo, com escolta mais próxima e restrições mais rígidas para acesso aos bastidores. Será que isso é suficiente? Ou estamos apenas tratando o sintoma, e não a doença?

O impacto psicológico nos membros do RIIZE

Uma coisa que muita gente esquece é que, por trás dos holofotes e dos sorrisos ensaiados, existem seres humanos. Os membros do RIIZE — alguns ainda muito jovens — tiveram que lidar com uma situação de estresse extremo. Em vídeos posteriores ao ocorrido, é possível notar um cansaço no olhar, uma tensão que não estava ali antes. Não é difícil imaginar o peso que isso carrega.

E não é só o medo imediato. O stalking deixa marcas profundas: ansiedade, dificuldade para confiar em fãs, até mesmo síndrome do pânico em situações de multidão. Quantos ídolos já não desabafaram sobre isso em entrevistas ou nas redes? O caso do RIIZE é mais um lembrete de que a indústria precisa de uma mudança estrutural, não só de medidas paliativas.

Com informações do: Koreaboo