Lembra daquela transmissão ao vivo do BTS para celebrar o lançamento do álbum "ARIRANG"? A alegria do comeback foi um pouco ofuscada por uma ausência que não passou despercebida: Jin. Enquanto os membros falavam sobre o processo, uma pontada de nostalgia e frustração tomou conta dos fãs. Será que um álbum do BTS pode ser completo sem a participação de todos?

BTS members

A Explicação dos Membros e a Agenda de Jin

Durante a live, os membros foram unânimes em expressar saudade e explicar a situação. RM mencionou que as cores individuais de cada um estavam no álbum, mas que a agenda de Jin, que havia sido liberado do serviço militar primeiro, simplesmente não bateu. Ele estava imerso em sua turnê solo quando o grupo realizou o "song camp" nos Estados Unidos para compor as novas faixas.

"Cada uma de nossas cores individuais está incluída no álbum, e se o Jin tivesse terminado sua turnê um pouco mais cedo, poderíamos ter trabalhado juntos."

— RM

Jin of BTS

V complementou, dizendo que até tiveram tempo para trabalhar juntos, mas Jin não estava se sentindo bem devido ao cansaço da turnê. Jimin, por sua vez, fez um agradecimento emocionado: "Graças ao Jin, a equipe foi protegida para que pudéssemos lançar o álbum." Mas será que palavras de gratidão são suficientes para compensar a falta do nome dele nos créditos oficiais?

BTS Jin

A Reação dos Fãs Coreanos: Decepção e Questionamentos

Para muitos fãs coreanos, a justificativa não colou. A comunidade online, especialmente em fóruns como o theqoo, foi tomada por uma onda de críticas. A sensação era de que, após uma longa espera pelo retorno completo do grupo, a ausência de Jin em um álbum de estúdio era uma falha significativa. Alguns chegaram a questionar a dinâmica interna do grupo.

Screenshot of online comments in KoreanMore screenshots of fan reactions

Os comentários traduzidos revelam um sentimento forte:

  • "Isso é algo que eles realmente precisam refletir."

  • "Vi um vídeo sobre isso, e foi estranho que os membros pareciam estar dando desculpas enquanto o Jin não dizia nada."

  • "Eles estão culpando ele quando nem ao menos lhe deram uma chance."

  • "Não é como se fosse o álbum de outra pessoa. Eles poderiam tê-lo deixado escrever pelo menos uma linha."

  • "Isso é uma longa história deles fazendo isso com o Jin."

A discussão abre uma ferida antiga para alguns ARMYs e levanta questões incômodas sobre prioridades, sincronia de carreiras solo e o verdadeiro significado de um "comeback completo". A forma como a HYBE e o próprio grupo gerenciam esses conflitos de agenda em um momento tão crucial põe em xeque a narrativa de unidade inabalável.

O Peso dos Créditos e a Economia do K-Pop

A discussão vai muito além do sentimento de injustiça. No universo do K-Pop, os créditos de composição e produção não são apenas um reconhecimento artístico; são ativos financeiros. Cada nome listado gera royalties a cada stream, venda de álbum e licenciamento. A ausência de Jin, portanto, não é apenas simbólica. Para os fãs mais atentos, parece que ele está sendo excluído de uma parte do retorno financeiro de um trabalho que carrega o nome do grupo do qual ele é membro fundador.

Essa não é a primeira vez que a relação de Jin com os créditos musicais do BTS é mencionada. Em entrevistas passadas, ele já brincou sobre ser "expulso" das sessões de composição ou sobre seu processo criativo ser diferente. Mas o tom de brincadeira agora soa diferente. A pergunta que fica é: até que ponto a "agenda lotada" é uma circunstância real e até que ponto é uma desculpa conveniente para um padrão já estabelecido? Fóruns como o Nate Pann estão repletos de análises antigas, com fãs relembrando momentos em que a contribuição de Jin parecia minimizada.

Jin in a recording studio

Um Paralelo com Outros Grupos e a Pressão do "7=1"

Enquanto a tempestade se formava em torno do BTS, netizens começaram a puxar o fio da meada e fazer comparações. E se outro grupo grande, como SEVENTEEN ou EXO, lançasse um álbum completo sem a participação ativa de um membro em nenhuma faixa? A reação provavelmente seria similar, mas a narrativa da HYBE em torno do BTS sempre foi a do "7=1", a ideia de que o grupo é uma unidade indivisível. Esse incidente coloca essa narrativa à prova de uma forma muito concreta.

O que mais dói para muitos ARMYs é o timing. Após anos de espera pelo retorno militar, o momento deveria ser de celebração total. Em vez disso, a live do "ARIRANG", que deveria unir, acabou destacando uma fissura. A forma como os outros membros falaram – com um misto de justificativa, saudade e um agradecimento que soou quase como um prêmio de consolação – foi analisada quadro a quadro. Será que a pressão por entregar um álbum no calendário corporativo da HYBE falou mais alto que a paciência de esperar por um membro?

BTS group photo for ARIRANG promotions

A situação também levanta um debate sobre as carreiras solo dentro de um grupo. Jin estava em sua turnê solo, um projeto importante e legítimo. Até que ponto as atividades individuais devem ceder para o grupo, e vice-versa? Para alguns, a resposta é simples: para um álbum de estúdio do BTS, tudo deveria parar. Para outros, a realidade da indústria e da vida adulta de um ídolo é mais complexa. O que está claro é que a HYBE e a Big Hit Music não conseguiram, ou não quiseram, encontrar uma solução que honrasse ambas as frentes.

Enquanto a poeira não baixa, os fãs internacionais também começam a se manifestar, traduzindo os posts coreanos e compartilhando sua própria frustração. O hashtag #CreditForJin começou a circular, embora de forma menos intensa que a discussão nos fóruns domésticos. A sensação é de que um contrato social não escrito entre o BTS e o ARMY – o de que todos são igualmente valorizados – foi quebrado. E consertar isso pode exigir mais do que uma explicação em uma live; pode exigir um gesto tangível, talvez até uma reedição futura dos créditos, algo que a empresa provavelmente vê como um precedente perigoso.

Com informações do: Koreaboo