Não é seu fone: o álbum 'ARIRANG' do BTS realmente não soa bem
O BTS lançou o aguardado álbum ARIRANG no dia 20 de março, marcando o primeiro lançamento completo do grupo desde o início do serviço militar. Até agora, as reações ao álbum têm sido, na melhor das hipóteses, mistas, com até mesmo fãs de longa data criticando as letras, o conceito e, principalmente, a produção sonora.

ARIRANG foi anunciado como uma evolução experimental do som característico do BTS, misturando raízes coreanas com produção moderna. No entanto, alguns fãs estão expressando uma forte decepção online em relação à produção, mixagem, qualidade sonora e ao uso excessivo de autotune.
A parede de som robótica
As faixas soam mais abafadas em comparação com os lançamentos anteriores do BTS, tanto em grupo quanto solo. Em vários momentos, os filtros vocais e a produção parecem sobrepor-se às vozes dos membros, criando uma camada artificial e robótica que obscurece os tons individuais. O que deveria ser uma vitrine de sete vozes distintas acaba se transformando em uma parede de som homogeneizada.
Os fãs nas redes sociais são diretos: "O autotune foi insano, nem dava para saber quem estava cantando cada música", escreveu um usuário no
">Twitter (X). Outro comentou, de forma mais contundente: "Eles deviam ter nomeado o álbum de 'autotune'"
">(via Twitter/X).
"Into the Sun": o exemplo máximo do problema
Muitos apontaram a faixa "Into the Sun" como o exemplo mais claro de como os efeitos vocais estão impactando negativamente a experiência de escuta. A reação online foi imediata e cheia de memes, com fãs brincando sobre a quantidade extrema de processamento.
"NÃO ACREDITO QUE ESSA É UMA MÚSICA DE VERDADE 😭", tuitou uma fã, acompanhando a postagem com um meme
">(fonte). Outras avaliações foram mais técnicas, mas igualmente críticas: "...o autotune, o autotune, o autotune… desta vez parece que é uma escolha estilística (talvez porque os microfones estão derretendo por causa da música?), mas é MUITO irritante", escreveu um usuário em uma análise track-by-track
">(via Twitter/X).
A sensação geral que permeia a discussão é a de um álbum excessivamente processado, onde a busca por um som experimental teria sacrificado a essência vocal que sempre foi um dos maiores trunfos do BTS. A comparação com trabalhos solo recentes dos membros, como o álbum Golden de Jungkook, citado por fãs, só aumenta a estranheza com a direção tomada em ARIRANG.
Comparações inevitáveis e a questão da identidade
O que mais chama a atenção, e talvez seja o cerne da frustração de muitos ARMYs, é o contraste gritante entre a produção de ARIRANG e os lançamentos solo recentes dos membros. Enquanto álbuns como Golden de Jungkook e Layover de V foram amplamente elogiados por sua qualidade sonora nítida e pela valorização das vozes naturais, o retorno do grupo soa como um passo atrás. É como se, na tentativa de criar uma "assinatura sonora" nova e ousada para o BTS pausa militar, a equipe de produção tivesse esquecido o que fez aquelas mesmas vozes brilharem individualmente.
"É bizarro pensar que o mesmo Jungkook que cantou 'Standing Next to You' com aquela potência crua está praticamente irreconhecível em algumas faixas aqui", comentou uma fã em um fórum de discussão, ecoando um sentimento comum. A sensação é de que a "experimentação" serviu mais para esconder do que para realçar, levantando questões sobre a direção artística escolhida para este marco tão aguardado.
Além do autotune: a mixagem e a experiência de escuta
O problema não se resume apenas ao processamento vocal. Fãs com ouvidos mais treinados e que escutam o álbum em diferentes dispositivos – de fones de ouvido de alta qualidade a sistemas de som – relatam questões consistentes com a mixagem. As faixas soam "apertadas", com pouca separação entre os instrumentos e as camadas vocais, criando uma textura sonora densa e, em alguns momentos, cansativa.
Em plataformas de streaming, onde a compressão de áudio já é um fator, esses problemas podem ser amplificados. Alguns suspeitam que a masterização do álbum priorizou o volume máximo (a famosa "Guerra do volume") em detrimento da dinâmica e da clareza. O resultado é uma experiência de escuta que, para muitos, não faz justiça à complexidade que parece estar tentando transmitir.
"Parece que tudo está competindo pela mesma faixa de frequência. Os graves das batidas eletrônicas engolem os baixos, os sintetizadores brigam com os vocais... é uma bagunça sonora que nenhum equalizador consegue consertar totalmente", analisou um produtor musical amador e fã do grupo em um tópico no Reddit.
Defesa e contexto: uma escolha artística polêmica
É claro, nem toda a recepção é negativa. Uma parcela dos fãs e alguns críticos defendem que o uso extremo de autotune e a produção densa são, sim, uma escolha estilística deliberada. Eles argumentam que ARIRANG busca evocar uma sensação de despersonalização, de fusão entre o humano e o maquínico, talvez refletindo os sentimentos do grupo durante o período de hiato e serviço militar.
Alguns apontam para faixas como "Echo in the Valley", onde o efeito robótico parece dialogar diretamente com a letra sobre memórias e repetição, como um exemplo de que a produção serve ao conceito. A questão que fica no ar é: até que ponto uma escolha artística conceitual justifica sacrificar a acessibilidade e o prazer imediato da escuta? Para um grupo com um apelo massivo e diverso como o BTS, esse equilíbrio é sempre um território delicado.
O próprio histórico do grupo com experimentação sonora – pense nos vocais distorcidos de "Black Swan" ou na produção industrial de "UGH!" – mostra que eles não são estranhos a efeitos. A diferença, na percepção de muitos, é que antes esses elementos eram usados como acentos, como camadas em uma pintura. Em ARIRANG, eles parecem ter se tornado a tinta principal.
Com informações do: Koreaboo