Lembra do Lionesses? O grupo que fez história como o primeiro boy group abertamente LGBTQ+ do K-Pop? Eles surgiram com uma missão poderosa e uma música que ecoou em muitos fãs, mas de repente... parece que sumiram do radar. O que será que aconteceu com os membros depois de tanto barulho na estreia?

O início de tudo: uma história de pioneirismo

O Lionesses era originalmente formado por quatro membros: Damjun, Foxman, Kanghan e Lee Marlang, o maknae do grupo. Eles se conheceram frequentando lugares amigáveis à comunidade LGBTQ+ na Coreia do Sul e, com o tempo, criaram um laço forte baseado no desejo de fazer música com a qual a comunidade pudesse se identificar.

Lionesses' Lee Marlang, Kanghan, Foxman, and Damjun

Os membros disseram que esperavam “desempenhar o papel de um farol para que jovens LGBTQ que sonham em se tornar músicos não percam sua chance devido ao medo.” O nome do grupo foi inspirado nas leoas da vida real. Damjun explicou que, embora as pessoas pensem que os leões machos comandam a selva, as verdadeiras governantes são as leoas.

A jornada musical e os desafios

O single de estreia, “Show Me Your Pride”, foi lançado em outubro de 2021 e foi um marco. O grupo continuou ativo nas redes sociais e no YouTube, mas a formação mudou. Foxman deixou o grupo por motivos de saúde, reduzindo o Lionesses a um trio.

Eles tiveram um comeback em junho de 2024 com a música “Like Christina taught me”. Depois disso, os membros começaram a focar mais em promoções solo. Malrang lançou um single, “Take you to that moon”, mas a recepção dos fãs não foi das melhores – muitos reclamaram da qualidade – e a música acabou sendo removida das plataformas.

Onde estão agora? Atividades recentes

O grupo celebrou seu quarto aniversário em novembro de 2025, mostrando que ainda existe um vínculo. Em dezembro do mesmo ano, Damjun lançou seu primeiro álbum completo, “목요일 새벽 세 시 (Thursday, 3a.m.)”.

Mas a pergunta que fica no ar para muitos fãs é: essa transição para projetos solo significa que o Lionesses, como grupo, entrou em um hiato? A ausência de novos lançamentos como formação completa desde 2024 deixa um espaço silencioso onde antes havia uma voz tão importante para a representatividade no K-Pop.

O impacto e o legado de um grupo pioneiro

Independentemente do status atual do grupo, é impossível negar o impacto que o Lionesses teve. Eles abriram uma porta que muitos consideravam trancada a chave dentro da indústria do K-Pop. Antes deles, a ideia de um boy group abertamente LGBTQ+ era tratada mais como uma especulação de fãs ou um "e se" distante. O Lionesses transformou essa possibilidade em realidade, e isso, por si só, é um feito monumental.

Para muitos fãs LGBTQ+ ao redor do mundo, especialmente na Ásia, ver um grupo coreano assumindo essa identidade com orgulho no título da música de estreia ("Show Me Your Pride") foi um momento de forte identificação. Eles provaram que existe um público ávido por essa representatividade, que vai muito além da curiosidade. Nas redes sociais, é comum ver depoimentos de fãs dizendo como o grupo os fez se sentir menos sozinhos ou deu coragem para serem quem são.

Os desafios de ser o primeiro em uma indústria conservadora

Ser pioneiro nunca é fácil, e no conservador cenário da indústria do entretenimento coreano, os desafios são multiplicados. Enquanto a onda Hallyu se espalha pelo mundo carregando valores progressistas em alguns dramas e músicas, a realidade interna para artistas LGBTQ+ ainda é cheia de obstáculos.

  • Acesso a promoções: Programas de TV, rádios e grandes eventos podem ser relutantes em convidar artistas abertamente queer, limitando drasticamente a exposição mainstream.

  • Financiamento e apoio de agências: Encontrar uma agência disposta a bancar e gerenciar um projeto como o Lionesses é uma tarefa hercúlea. Muitas preferem o "safe play" de grupos com imagens mais tradicionais.

  • Pressão pública e hate: O grupo inevitavelmente se tornou alvo de comentários homofóbicos e críticas virulentas, uma carga mental e emocional pesada para qualquer artista.

Esses fatores nos fazem pensar: será que o caminho natural para grupos como o Lionesses, pelo menos no estágio atual da indústria, é o de atuação em nichos específicos, com carreiras mais independentes e focadas em plataformas digitais como o YouTube? A trajetória deles, com um forte começo simbólico seguido por uma atividade mais esparsa e projetos solo, parece refletir essa dificuldade de se manter no "mainstream" do K-Pop como conhecemos.

O futuro: hiato, fim ou um novo capítulo?

Então, para onde vai o Lionesses? A falta de um comunicado oficial sobre um hiato ou disband deixa a porta aberta para especulações. Talvez os membros estejam apenas se recolhendo, amadurecendo artisticamente em projetos individuais para voltarem com algo ainda mais forte. A música "Like Christina taught me" já mostrava uma evolução sonora em relação à estreia.

Outra possibilidade é que o próprio conceito de "grupo" esteja se transformando para eles. Em uma era digital, talvez a união não precise significar lançamentos constantes de singles como um trio, mas sim uma colaboração contínua e esporádica, um coletivo artístico que se une para projetos específicos, enquanto cultivam suas vozes individuais. O fato de ainda celebrarem aniversários juntos nas redes sociais indica que a amizade e a conexão artística permanecem.

O que é certo é que o Lionesses plantou uma semente. Outros artistas solo LGBTQ+ já existiam no K-Pop, mas um grupo com essa identidade no centro de sua concepção era inédito. Agora, a pergunta que fica é: quem será o próximo? A existência do Lionesses, mesmo que sua jornada tenha sido turbulenta, normalizou a conversa e mostrou que há espaço – e necessidade – para mais vozes como a deles no vasto universo do K-Pop. O silêncio atual deles pode ser apenas o intervalo antes de um novo rugido, ou o legado que inspirará a próxima geração de leoas e leões a conquistar a selva.

Com informações do: Koreaboo