A estreia da KATSEYE, o novo girl group fruto da parceria entre a HYBE e a Geffen, no palco do Coachella não está sendo nada tranquila. Depois das discussões sobre os vocais ao vivo e da ausência de Manon em um dos sets, agora são os figurinos das integrantes que estão no centro de uma polêmica acalorada nas redes sociais.
O Visual que Dividiu Opiniões
Durante suas apresentações nos dois finais de semana do festival, as membros da KATSEYE usaram conjuntos que muitos fãs e espectadores descreveram como parecidos com roupas íntimas. A reação foi imediata e contundente, vindo até mesmo de parte do próprio fandom, que expressou preocupação com a objetificação das artistas.
Uma Sequência de Controvérsias
Esta não é a primeira vez que o grupo gera debate desde sua formação. A apresentação no Coachella, que deveria ser um grande momento de consolidação, tem sido marcada por uma série de questões:
- O desempenho vocal ao vivo, que recebeu críticas mistas.
- A situação de Manon, que não apareceu no palco com o grupo em um momento, mas foi vista acompanhando outros artistas nos bastidores, levantando especulações.
- E agora, a escolha dos figurinos, que se tornou o ponto mais discutido.
A discussão vai além do gosto estético e mergulha em questões sobre a autonomia das idols, a pressão da indústria e os limites da moda nos palcos. Enquanto alguns defendem a liberdade criativa da equipe de styling, outros questionam se a imagem proposta para o grupo, que tem uma formação multicultural e foi anunciado com um conceito de "global girl group", está sendo bem executada.
O Estilo "Underwear" e a Reação do Fandom
Os figurinos em questão, que circularam amplamente no Twitter e em fóruns como r/kpop, consistiam em tops curtos combinados com shorts ou saias de cintura alta que lembravam lingerie, muitas vezes em tecidos como renda ou cetim. A estética "underwear as outerwear" não é nova na moda nem no K-pop, mas a intensidade da reação pegou muitos de surpresa. O que começou como comentários esparsos rapidamente se transformou em threads virais e discussões acaloradas.
Uma parcela significativa do fandom expressou desconforto, argumentando que as roupas pareciam inadequadas para a idade de algumas integrantes e que sexualizavam excessivamente o grupo, especialmente em um palco de tamanha visibilidade mundial como o Coachella. "Parece que vestiram elas com a primeira coisa que acharam no guarda-roupa de uma adult film set", escreveu um usuário, em um comentário que recebeu milhares de likes. Outros questionaram a coerência com o conceito "global" e "empoderador" que a HYBE vinha promovendo para a KATSEYE.
O Outro Lado da Moeda: Defesa e Contexto
Nem toda a reação foi negativa, no entanto. Estilistas e fãs em defesa da escolha apontaram para o contexto do Coachella, festival conhecido por estilos ousados e pela cultura de liberdade de expressão através da moda. Eles argumentam que o visual se encaixa nesse ambiente e que criticá-lo é impor um padrão conservador ao grupo.
"O Coachella sempre foi sobre looks ousados e statement pieces. As girls de Katseye estão simplesmente se adaptando ao vibe do festival", comentou uma fashion blogger em um vídeo no TikTok. Outros levantaram a questão da agência das próprias idols: será que elas não tiveram voz na escolha? Assumir que foram obrigadas a usar algo que não queriam pode ser tão problemático quanto criticar a roupa em si.
Um Padrão na Indústria?
Esse incidente com a KATSEYE reacende um debate antigo e recorrente no K-pop: a linha tênue entre a expressão artística da moda e a objetificação das artistas, especialmente em girl groups. Fãs veteranos rapidamente começaram a traçar paralelos com polêmicas passadas envolvendo grupos como aespa em seus primeiros anos ou mesmo com a constante discussão sobre os figurinos de grupos mais jovens.
A questão central parece ser: até que ponto uma escolha de styling é uma ferramenta conceitual poderosa, e a partir de que momento ela se torna o foco principal, ofuscando a música e o talento das performers? No caso da KATSEYE, a discussão sobre os vocais ao vivo ficou, de certa forma, em segundo plano diante do furor causado pelas roupas.
O Que Isso Significa para o Futuro do Grupo?
O debut no Coachella era para ser o grande trampolim global da KATSEYE, mas a sequência de controvérsias criou uma narrativa complexa em torno do grupo. A HYBE e a Geffen agora enfrentam o desafio de gerenciar essa imagem pública inicial, que mistura enorme expectativa com críticas substanciais.
Especialistas em indústria do entretenimento, como os do canal Kpopalypse, sugerem que a empresa pode adotar uma de duas estratégias: ou abraça a polêmica e dobra a aposta no conceito ousado, usando a atenção (mesmo que negativa) como combustível, ou faz um ajuste de rota visível no próximo comeback, com um visual mais alinhado às críticas recebidas. A pressão é alta, pois o grupo representa um investimento milionário e uma das maiores apostas da HYBE para dominar o mercado ocidental.
Enquanto isso, as próprias integrantes – Daniela, Lara, Megan, Sophia, Yoonchae e Manon – seguem suas atividades sob os holofotes, com a esperança de que a conversa eventualmente migre de volta para sua música e performance. O caminho para se estabelecer como um "global girl group" autêntico parece, no momento, mais acidentado do que o previsto.
Com informações do: Koreaboo





