Se você é fã de K-pop, sabe que os bastidores podem ser tão intensos quanto os palcos. Foi exatamente isso que o novo documentário de ITZY, "Kill My Doubt", mostrou em seus 27 minutos de pura emoção. O vídeo trouxe um olhar íntimo sobre a produção do single pré-debut "Bet On Me" e revelou momentos que deixaram os fãs em choque: as integrantes chorando no estúdio, pressionadas pelo próprio J.Y. Park.

Lia durante a gravação.

Lia durante a gravação. | ITZY/YouTube

As lágrimas parecem ter sido consequência da pressão intensa que J.Y. Park (também conhecido como Park Jin Young) — fundador da JYP Entertainment e produtor da música — impôs às meninas.

O documentário detalha a jornada de ITZY, desde as aulas de boxe para se prepararem para o videoclipe até as filmagens. O ápice emocional acontece na sessão de gravação, onde um J.Y. Park visivelmente frustrado empurra Yeji e Lia ao limite.

JYP durante a gravação.

JYP durante a gravação. | ITZY/YouTube

JYP durante a gravação.

JYP durante a gravação. | ITZY/YouTube

No trecho mais polêmico do documentário, Yeji e Lia aparecem na cabine de gravação enquanto J.Y. Park está do outro lado do vidro, dando instruções. Visivelmente frustrado, ele faz as meninas repetirem suas partes várias vezes, ficando cada vez mais exasperado. Para os fãs, em vez de oferecer conselhos construtivos ou apoiar as integrantes para ajustarem suas vozes, ele parecia insistir em forçar um som específico das jovens estrelas.

Lia aparentemente enxuga as lágrimas durante a gravação.

Lia aparentemente enxuga as lágrimas durante a gravação. | ITZY/YouTube

Yeji abaixa a cabeça enquanto J.Y. Park entra na cabine.

Yeji abaixa a cabeça enquanto J.Y. Park entra na cabine. | ITZY/YouTube

A postura rígida de J.Y. Park durante a gravação deixou Yeji e Lia visivelmente ansiosas e abaladas, terminando com lágrimas nos olhos. Fãs do mundo todo saíram em defesa das meninas, criticando o comportamento do produtor, questionando seus métodos e até duvidando de sua capacidade.

Yeji was crying ☹️

She kept on making a mistake while recording, then JYP came to talk to her.

Yeji : “It didn’t come back as much as I thought. I wanted to record it well ..”pic.twitter.com/i04ZAGqnom

— ًea 🖤 (@thclwa) July 19, 2023

Um fã comentou: “Se você deixa seu próprio artista ansioso e chorando ao sair do estúdio, então você é um produtor ruim.” Esse sentimento ecoou em várias redes, com fãs defendendo ITZY e ressaltando a importância de um ambiente de trabalho saudável.

if ur making ur own artist anxious and teary eyed leaving the studio then ur just a shit producer im sorry 😭 https://t.co/GmmHjW7g0s

— 🤨 (@ninglias) July 19, 2023

Alguns fãs chegaram a comparar J.Y. Park com a linha de produtores do Stray Kids, o 3Racha — formado por Bang Chan, Changbin e Han — que é elogiado por nunca deixar nenhum membro chorar durante as gravações. Comentários como “J.Y. Park não tem nenhuma habilidade social, não tenha medo de admitir” mostram a insatisfação com o estilo do produtor.

in order to be successful, apart from being talented, u need to have soft skills and good communication with your workers. 3racha, producer line of skz, has never made any member cry during recording. JYP has absolutely no soft skills don't be scared to admit it https://t.co/4syYGwuA5T

— noni @spearbpop (@aienswife) July 19, 2023

Essa polêmica não é novidade. J.Y. Park já foi criticado por impor seu estilo vocal único aos artistas, algo que muitos fãs acreditam não combinar com as forças individuais de cada um. Esse episódio só reacendeu essa discussão.

he has been pushing his weird ass singing style into all his artists ever since that goddamn company was founded and he can't sing enough is enough the girls can and should outsource better producers, a producer's job shouldn't be making someone cry on set that's just evil https://t.co/hSN7kBCNY7

— ‎ؘ (@127vens) July 19, 2023

Outros ressaltaram a importância da crítica construtiva, em vez de feedbacks desnecessariamente duros.

there is a difference between constructive criticism and just straight up being mean https://t.co/GIDjkn8kMj

— pluto #1 fan (@ryuseungs) July 19, 2023

O que fica claro é que os fãs querem mais gentileza na hora de ensinar e guiar os artistas, não lágrimas e estresse. O documentário de ITZY trouxe essa discussão à tona, mostrando a urgência de ambientes de trabalho positivos e comunicação adequada entre produtor e idol.

Você pode assistir ao documentário completo "Kill My Doubt" aqui:

Além da pressão vocal, o documentário também expõe a dinâmica de trabalho dentro da JYP Entertainment, mostrando como o perfeccionismo extremo pode afetar a saúde mental dos artistas. ITZY, conhecida por sua energia vibrante e confiança no palco, revelou um lado mais vulnerável e humano, algo que raramente é mostrado para o público.

Vale destacar que J.Y. Park é uma figura icônica na indústria do K-pop, responsável por lançar carreiras de sucesso como Wonder Girls, 2PM e TWICE. Seu estilo de produção é frequentemente descrito como rigoroso e exigente, mas também visionário. No entanto, essa abordagem tem gerado debates acalorados entre fãs e especialistas sobre os limites entre disciplina e abuso emocional.

Em entrevistas anteriores, J.Y. Park já comentou sobre sua filosofia de trabalho, enfatizando a importância de extrair o melhor dos artistas para garantir qualidade e autenticidade. Mas o episódio com ITZY levanta a questão: até que ponto essa pressão é saudável? Será que o método tradicional de treinamento e produção no K-pop precisa evoluir para acompanhar as demandas atuais por bem-estar e respeito?

Enquanto isso, as integrantes de ITZY continuam a crescer e conquistar seu espaço, mostrando resiliência diante dos desafios. A líder Yeji, por exemplo, tem sido elogiada por sua capacidade de manter a calma e a determinação, mesmo em situações difíceis. Já Lia demonstra uma sensibilidade artística que cativa os fãs, tornando ainda mais impactante vê-la emocionalmente abalada nos bastidores.

Essa dualidade entre a imagem pública forte e os momentos privados de fragilidade é algo que muitos idols enfrentam, mas que raramente é discutido abertamente. O documentário "Kill My Doubt" abre uma janela para essa realidade, humanizando as estrelas e mostrando que, por trás do brilho dos palcos, existem pessoas lidando com pressões enormes.

Outro ponto interessante é a reação da comunidade otaku e fã de K-pop, que tem se mostrado cada vez mais consciente da importância da saúde mental dos artistas. Grupos de apoio, discussões em fóruns e até campanhas para melhorar as condições de trabalho dentro das agências têm ganhado força. Afinal, fãs querem ver seus ídolos felizes e saudáveis, não apenas perfeitos.

Enquanto isso, a comparação com outras produtoras e equipes, como a linha 3Racha do Stray Kids, evidencia diferentes estilos de liderança e produção. O 3Racha é conhecido por sua abordagem colaborativa e empática, o que tem sido apontado como um modelo positivo dentro do cenário competitivo do K-pop.

Essa diversidade de métodos levanta um debate maior sobre o futuro da indústria: será que o modelo tradicional de produtores autoritários está com os dias contados? Ou ainda há espaço para esse estilo, desde que equilibrado com cuidado e respeito? A resposta pode estar nas próximas gerações de idols e produtores, que já parecem mais atentos a essas questões.

Enquanto isso, fãs e críticos continuam acompanhando de perto o desenvolvimento de ITZY e a evolução da JYP Entertainment, atentos a como esses episódios impactarão a carreira do grupo e a reputação do produtor. Afinal, no mundo do K-pop, cada detalhe conta, e a relação entre artista e produtor pode ser decisiva para o sucesso ou fracasso.

Além disso, o documentário também mostra momentos de descontração e união entre as integrantes, equilibrando a tensão com cenas que reforçam a amizade e o apoio mútuo. Essa dualidade é fundamental para entender a complexidade da vida de idols, que precisam lidar com expectativas altíssimas enquanto mantêm sua humanidade intacta.

Por fim, é importante lembrar que, apesar das críticas, J.Y. Park também tem seus defensores, que apontam para sua experiência e contribuição histórica ao K-pop. Para esses fãs, a frustração demonstrada no documentário seria uma forma de motivar e extrair o melhor das artistas, mesmo que de maneira dura.

Essa polêmica, portanto, não é apenas sobre um momento específico, mas sobre toda uma cultura de produção e treinamento que está sendo questionada e repensada. O que será que o futuro reserva para ITZY e para a JYP Entertainment? Só o tempo dirá, mas certamente essa discussão já deixou marcas profundas na comunidade.

Com informações do: Koreaboo