Ela acreditou em tudo que ele disse.

Lee Jung Jae

Em 21 de outubro, horário da Coreia (KST), a JTBC reportou um caso triste envolvendo uma mulher na casa dos 50 anos que perdeu dezenas de milhões de won após se envolver com Lee Jung Jae — ou pelo menos com quem ela acreditava ser ele.

Lee Jung Jae

Lee Jung Jae

A vítima, chamada apenas de “A”, uma mulher na casa dos 50 anos, foi contatada pelas redes sociais por alguém que dizia ser o famoso ator, afirmando querer se comunicar com seus fãs. Mas não foi um caso ingênuo de catfishing, onde a vítima apenas acreditou na palavra do outro. Os responsáveis pela conta foram além, usando inteligência artificial generativa para criar selfies falsas do Lee em aeroportos. Essas fotos foram enviadas para a Sra. A, com a alegação de que Lee estava filmando Squid Game 3. Ela também recebeu uma carteira de motorista falsa do ator.

Foto falsa usada no golpe

Depois de conquistar a confiança da Sra. A, os golpistas mudaram a conversa para o Kakaotalk. Ela estava tão convencida de que falava com o verdadeiro Lee Jung Jae que, quando ele começou a pedir dinheiro, não hesitou em enviar. Eles passaram a se chamar de “querido” e “amor”, fazendo a Sra. A acreditar que estava em um relacionamento romântico com o ator premiado. A conta falsa a tranquilizava dizendo que ela receberia o dinheiro de volta assim que “Lee Jung Jae” retornasse à Coreia.

Em uma das ocasiões, esse falso Lee Jung Jae pediu que a Sra. A enviasse ₩10 milhões de KRW (cerca de US$ 6.980) para emitir um “cartão VIP de fã”. Depois, ele disse que havia sido detido no aeroporto dos EUA e precisava de mais dinheiro, que ela enviou prontamente. Em outro momento, um cúmplice se passou pela equipe de gerenciamento de Lee Jung Jae e ofereceu um encontro pessoal com o ator em troca de ₩6 milhões de KRW (aproximadamente US$ 4.190). Em cerca de seis meses, o total enviado aos golpistas chegou a ₩500 milhões de KRW (aproximadamente US$ 349.000).

A Agência de Polícia Provincial de Gyeongnam, que assumiu a investigação, está seguindo todas as pistas possíveis, incluindo conexões com uma organização criminosa do Camboja, para localizar os responsáveis. A Delegacia de Polícia de Miryang, que iniciou o caso, revelou que mesmo após o início da investigação, os golpistas continuaram enviando mensagens para a Sra. A, fingindo ser Lee e pedindo sua confiança.

Em 22 de outubro, horário da Coreia, a agência de Lee emitiu um comunicado oficial esclarecendo que nem a equipe de gerenciamento nem o próprio ator têm qualquer ligação com esse crime. Eles também alertaram os fãs para não responderem a mensagens que se passam pela agência ou por seus artistas pedindo dinheiro ou qualquer tipo de apoio financeiro.

Fonte: JoongAng Ilbo

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Esse caso não é isolado. Nos últimos anos, o uso de deepfakes e outras tecnologias de inteligência artificial para criar imagens e vídeos falsos tem aumentado significativamente, especialmente no mundo do entretenimento. Celebridades, principalmente atores e cantores, têm sido alvos frequentes desses golpes digitais, que exploram a admiração dos fãs para aplicar fraudes financeiras.

Um exemplo recente aconteceu com outra estrela sul-coreana, onde golpistas criaram vídeos falsos para convencer fãs a investirem em supostos projetos ou eventos exclusivos. A facilidade de manipular imagens e áudios com ferramentas acessíveis torna a tarefa de identificar fraudes cada vez mais difícil para o público geral.

Como os golpistas usam a tecnologia para enganar fãs

O uso de inteligência artificial generativa para criar fotos e vídeos falsos é uma das táticas mais sofisticadas atualmente. No caso da Sra. A, as imagens enviadas mostravam Lee Jung Jae em aeroportos, supostamente durante as filmagens de Squid Game 3. Essas fotos foram produzidas com base em modelos treinados para replicar o rosto do ator em diferentes cenários, tornando a farsa muito convincente.

Além disso, a criação de documentos falsos, como a carteira de motorista que a vítima recebeu, adiciona uma camada extra de credibilidade para os golpistas. Isso mostra que eles investem tempo e recursos para construir uma narrativa convincente, explorando a confiança e o desejo dos fãs de se aproximarem de seus ídolos.

O impacto emocional e financeiro nas vítimas

Para além do prejuízo financeiro, que no caso da Sra. A ultrapassou meio milhão de dólares, o impacto emocional é profundo. A sensação de traição e humilhação pode afetar a saúde mental das vítimas, que muitas vezes se sentem envergonhadas por terem sido enganadas. A construção de um relacionamento falso, com troca de mensagens carinhosas e promessas, cria um vínculo ilusório difícil de romper.

Esse tipo de golpe também levanta questões sobre a vulnerabilidade dos fãs, especialmente aqueles que buscam conexão e afeto em tempos de isolamento social. A linha entre fã e vítima pode se tornar tênue quando a tecnologia é usada para manipular emoções.

Medidas de prevenção e o papel das agências

Agências de entretenimento e plataformas de redes sociais têm um papel crucial na prevenção desses golpes. A rápida divulgação do comunicado oficial da agência de Lee Jung Jae é um exemplo de como a transparência pode ajudar a proteger fãs e artistas. Além disso, é fundamental que as plataformas adotem sistemas de verificação mais rigorosos para contas de celebridades e monitorem atividades suspeitas.

Fãs também devem estar atentos a sinais de alerta, como pedidos de dinheiro, mensagens que fogem do padrão oficial e contatos que não passam por canais reconhecidos. A educação digital e a conscientização sobre golpes virtuais são ferramentas essenciais para evitar que mais pessoas caiam em armadilhas semelhantes.

Enquanto a polícia continua as investigações, o caso serve como um alerta para toda a comunidade otaku e fãs de K-drama: a linha entre realidade e ficção pode ser manipulada, e a cautela é sempre necessária.

Com informações do: Koreaboo