Imagine um gênio preso em uma lâmpada há mil anos, uma mulher com transtorno de personalidade antissocial e uma rivalidade celestial que atravessa milênios. É nesse caos que Genie, Make a Wish nos apresenta, uma comédia romântica fantástica que promete muito mais do que três desejos.
Um elenco que brilha mais que lâmpada mágica
Suzy vive Ki Ga Yeong, uma mulher com transtorno de personalidade antissocial que enfrenta dificuldades diárias para se encaixar na sociedade. Criada pela avó amorosa (Kim Mi Kyung), sua vida dá uma guinada inesperada quando ela liberta um gênio da sua lâmpada.

Kim Woo Bin interpreta Iblis, também conhecido como Satã, um gênio temperamental preso há mil anos e agora determinado a se vingar de quem o aprisionou. A química entre os dois é um dos pontos altos do dorama, com aquela dinâmica de briga constante que a gente ama.

E pra completar o triângulo celestial, Steve Noh entra como Ryu Su Hyeon/Ejlael, um anjo com uma rivalidade milenar contra Iblis. Será que essa treta celestial vai roubar a cena?
Produção de luxo e referências pesadas

O dorama vem com credenciais impressionantes: a mesma roteirista de sucessos como Goblin: The Lonely and Great God, Descendants of the Sun, e Mr. Sunshine. E dá pra ver o orçamento nas cenas - CGI à vontade, efeitos especiais e até locações em Dubai!

Alguns efeitos ficaram meio estranhos, mas a maior parte é bem executada. A questão é: será que produção de luxo salva um roteiro confuso?
Onde o dorama peca (e onde acerta)

Vamos ser sinceros: o tom do dorama é meio esquisito. A comédia nem sempre funciona, os vilões são fracos e o plot fica confuso em vários momentos. Mas o maior problema talvez seja a estrutura da narrativa.
O dorama guarda as informações mais importantes do passado dos personagens até o final, deixando a gente no escuro por episódios e episódios. Só lá pro fim que temos um episódio inteiro de flashback explicando tudo. Será que essa escolha narrativa foi acertada?

A relação entre Iblis e Ga Yeong poderia ter sido muito mais significativa se conhecêssemos seu passado desde cedo. Conforme as revelações vão surgindo, a gente se envolve mais - mas será que não era tarde demais?
Personagens complexos em jornadas emocionantes


Iblis começa com uma missão de vingança, mas vai evoluindo conforme conhece Ga Yeong e os humanos. Já Ga Yeong lida com suas tendências psicopatas desde sempre, fazendo ajustes constantes para não machucar os outros.

Ela é um personagem fascinante, e ver seu desenvolvimento é uma das partes mais interessantes do dorama. Mas será que a representação do transtorno de personalidade antissocial foi bem executada?
No final das contas, Genie, Make a Wish entrega performances incríveis de Kim Woo Bin e Suzy, uma produção caprichada e personagens cativantes. Mas a estrutura narrativa problemática, o tom inconsistente e os vilões fracos deixam a desejar.
Às vezes o dorama tenta ser épico demais e acaba não atingindo o objetivo. Mas se você não levar muito a sério e curtir a química do casal principal, pode ser uma diversão garantida.
Avaliação: 7/10
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A química que salva (ou quase) o dorama

Se tem uma coisa que ninguém pode negar é que Kim Woo Bin e Suzy têm uma química que praticamente salva os momentos mais fracos do roteiro. As cenas em que Iblis tenta entender as emoções humanas enquanto Ga Yeong luta para sentir algo genuíno são verdadeiras joias. Lembra aquela cena em que ele tenta ensiná-la sobre empatia usando exemplos ridículos do cotidiano? Foi um dos momentos mais engraçados e tocantes ao mesmo tempo.

E não podemos esquecer das interações com o anjo Ryu Su Hyeon, que adicionam aquela pitada de rivalidade celestial que todo fã de fantasia ama. A dinâmica entre os três personagens principais é tão interessante que às vezes a gente fica torcendo para que o plot principal dê uma trégua e deixe eles apenas conversando.
Os desejos que ninguém pediu
Um dos aspectos mais curiosos do dorama é como ele subverte a ideia tradicional dos três desejos. Em vez dos pedidos clichês de riqueza ou poder, Ga Yeong faz desejos que revelam muito sobre sua personalidade complexa. Lembram quando ela pede para "nunca mais sentir solidão"? Foi um daqueles momentos que nos fazem parar e pensar sobre o que realmente importa na vida.
E falando em desejos, a forma como Iblis interpreta e executa cada pedido é cheia de nuances. Ele não é apenas um gênio que cumpre ordens - cada desejo realizado é uma oportunidade para ele aprender mais sobre os humanos e, principalmente, sobre si mesmo. Essa evolução gradual do personagem é uma das coisas mais satisfatórias de acompanhar.
O visual que é quase um personagem à parte


Precisamos falar sobre a direção de arte e figurino! As transformações de Iblis ao longo dos episódios são um espetáculo à parte. Desde as roupas extravagantes que refletem sua personalidade dramática até os momentos em que ele adota um visual mais humano, cada mudança conta uma história.
E Ga Yeong? Seu guarda-roupa minimalista e cores sóbrias são um reflexo perfeito de sua personalidade antissocial. Os detalhes nas escolhas de cores - tons frios quando ela está se fechando, cores mais quentes nos raros momentos de abertura emocional - mostram uma atenção aos detalhes que poucos doramas conseguem manter.
As referências que todo otaku vai amar

Para os fãs de fantasia e mitologia, Genie, Make a Wish está cheio de easter eggs interessantes. A maneira como o dorama reinterpreta figuras mitológicas como Iblis (que na tradição islâmica é um jinn, não exatamente o diabo cristão) e anjos como Ejlael mostra uma pesquisa interessante sobre diferentes tradições religiosas e mitológicas.
E não podemos ignorar as referências a outros doramas de fantasia. Em vários momentos, parece haver uma conversa silenciosa com obras como Goblin e Hotel del Luna, especialmente na forma como seres sobrenaturais interagem com o mundo humano. Será que isso foi intencional ou apenas coincidência?
Os momentos que realmente funcionam
Quando Genie, Make a Wish acerta, ele acerta com força. Lembram daquele episódio em que Ga Yeong tenta ajudar uma criança sem entender por que está fazendo aquilo? Ou quando Iblis enfrenta a possibilidade de voltar para a lâmpada depois de ter experimentado a liberdade? São cenas que mostram o potencial que o dorama tinha desde o início.
E as cenas de ação? Apesar de alguns efeitos especiais questionáveis, as sequências de batalha celestial entre Iblis e os anjos têm uma energia contagiante. A coreografia combina elementos de artes marciais com movimentos mais sobrenaturais, criando um estilo único que se destaca entre outros doramas de fantasia.

Mas a verdadeira questão que fica é: por que esses momentos brilhantes são tão espaçados? Será que com um roteiro mais focado e uma edição mais rigorosa, Genie, Make a Wish poderia ter sido um dos grandes doramas do ano?
A trilha sonora que merece mais atenção
Algo que quase ninguém comenta é como a trilha sonora complementa perfeitamente a jornada emocional dos personagens. As músicas mais melancólicas para os momentos de introspecção de Ga Yeong, os temas épicos para as batalhas celestiais, e aquelas faixas mais leves para os raros momentos de descontração - tudo parece cuidadosamente escolhido.
E não podemos esquecer da música tema que toca nos créditos finais - aquela que parece resumir toda a complexidade emocional do dorama em poucos minutos. É uma daquelas trilhas que a gente acaba procurando no Spotify depois de assistir ao episódio.
O que poderia ter sido diferente

Imaginem se o dorama tivesse focado mais no desenvolvimento da relação entre Ga Yeong e Iblis desde o início, em vez de espalhar tantas subtramas desnecessárias. Ou se tivéssemos conhecido o passado deles mais cedo, permitindo que nos conectássemos emocionalmente com suas jornadas desde os primeiros episódios.
E os vilões... será que não dava para criar antagonistas mais complexos e menos caricatos? Personagens como o misterioso conselho celestial poderiam ter sido muito mais interessantes se tivessem motivações além do "vamos manter a ordem cósmica".
A verdade é que Genie, Make a Wish tem todos os ingredientes para ser excelente - elenco talentoso, produção de alta qualidade, premissa interessante - mas parece ter medo de se comprometer completamente com seu potencial. Fica naquele limbo entre comédia romântica leve e drama fantástico épico, sem se destacar em nenhum dos dois gêneros.
Com informações do: kdramakisses





