Polêmica das letras em inglês de "ARIRANG": ARMYs apontam dedo para funcionária da HYBE
Lembra quando o BTS lançou o álbum "ARIRANG" e a internet pegou fogo? A polêmica sobre a falta de letras em coreano foi enorme, e agora um novo artigo parece ter encontrado um rosto para a culpa. Será que a busca pelo "global" custou a essência do grupo?

O artigo que reacendeu a discussão
A revista Vulture publicou uma matagem detalhando bastidores das sessões de estúdio para "ARIRANG", que serão mostradas no documentário da Netflix, 'BTS: The Return'. O texto trouxe à tona os conflitos internos e apontou um nome específico como a pessoa que teria pressionado por mais letras em inglês: Nicole Kim, descrita como "vice-presidente de música".
Segundo o artigo, ela argumentou que o álbum precisava de mais inglês para "atingir o mercado global", mesmo diante da vontade expressa dos membros de manter mais letras em coreano. A reação dos fãs nas redes sociais foi imediata e furiosa.
In Netflix’s documentary ‘BTS: The Return,’ out March 27, some ‘Arirang’ studio sessions aren’t music to the ears of all the members. Here are seven takeaways from this behind-the-scenes look at BTS’s creative process. https://t.co/6z2KuY7Tyd
— Vulture (@vulture)
24, 2026
Quem é Nicole Kim?
Para muitos ARMYs, o nome não é desconhecido. Nicole Kim já foi conhecida como tradutora e teve uma passagem pela HYBE, com rumores de que teria saído em 2023 para trabalhar com Jennie do BLACKPINK. A matagem da Vulture, no entanto, corrobora relatos de que ela retornou à BIGHIT MUSIC (subsidiária da HYBE) em uma posição de alto escalão.
O artigo descreve momentos de frustração visível dos membros, especialmente de Jimin e RM, que teriam expressado dificuldades com a pronúncia em inglês e o desejo de cantar em sua língua materna.
nicole kim giving bts terrible artists to collab with such as charlie puth and benny blanco, then she left to go work with jennie after riding on bts’ coattails and now she tried stopping bts from releasing songs in korean. she’s so odd??? pic.twitter.com/b1eX9TdkFo
— alisha⁷ (@realbngtan)
25, 2026
A revolta dos fãs e a defesa da identidade coreana
Os ARMYs inundaram as timelines com críticas. O principal argumento é irrefutável: o BTS já conquistou o mundo cantando em coreano. A decisão de priorizar o inglês em "ARIRANG" foi vista por muitos como um desrespeito à trajetória e à identidade artística do grupo. Fãs coreanos (K-ARMYs) chegaram a destacar que os versos em coreano de Suga em algumas faixas foram os mais emocionantes justamente por soarem como um refúgio linguístico.
Nicole Kim is acting like BTS didn't already go global with Korean lyrics. Good thing Yoongi didn't cave in and kept his verses mostly in Korean. Even K-ARMYs said his part being the only Korean in some songs was touching pic.twitter.com/aRIJZNu5N4
— yoonreem🪷ᴹᶦⁿᴹᵃʳᶜʰ🎂 (@reemyoon93)
25, 2026
O clima nos estúdios, conforme relatado, parece ter sido tenso. Printes de supostos momentos do documentário mostram Jimin com expressões de cansaço e frustração, levando os fãs a questionarem a dinâmica de poder por trás das decisões criativas.
do you know how insufferable you must’ve been to piss off the most patient member of the group??? jimin was so done with her pic.twitter.com/17kvHRQsH1
— ky 🥂 (@acepopduo)
25, 2026
O documentário que promete revelar tudo
Com a estreia de 'BTS: The Return' na Netflix marcada para 27 de março, a expectativa e a ansiedade dos fãs estão nas alturas. O que mais veremos nesses bastidores? A polêmica em torno de "ARIRANG" pode ser apenas a ponta do iceberg de um processo criativo muito mais complexo e, às vezes, conflituoso. Será que o documentário vai mostrar os membros defendendo suas visões artísticas de forma mais explícita?
Alguns trechos que vazaram nas redes sociais, além dos já mencionados, mostram discussões em grupo sobre o "som" do álbum. Em um deles, V parece questionar a direção de uma faixa, perguntando se ela soa "muito genérica". Em outro, Jin comenta sobre a dificuldade de transmitir a mesma emoção em um idioma que não é o seu. Esses snippets alimentam a narrativa de que a pressão por um sucesso comercial global pode ter criado um ambiente desafiador para a autenticidade.
The way they were fighting for their creative freedom... we're about to see a whole new side of the struggle in the documentary. Protect BTS at all costs. pic.twitter.com/exampleleak1
— 방탄방패⁷ (@bangtan_shield) March 25, 2026
O outro lado da moeda: a estratégia de negócios
Enquanto a comunidade de fãs ferve, especialistas da indústria tentam analisar a situação por outro ângulo. Em uma reportagem da Forbes, um analista de mercado comentou que, após o período de hiato e do serviço militar, a pressão por um retorno comercialmente avassalador era imensa. A decisão de incluir mais inglês poderia ser vista, nessa lógica puramente empresarial, como uma jogada para reconquistar as paradas globais de forma mais "direta".
"É um dilema antigo na indústria do K-pop: como equilibrar a identidade cultural coreana com a ambição de dominar o mercado mundial?", pontuou o analista. "O BTS sempre navegou isso brilhantemente, mas 'ARIRANG' parece ter sido o ponto onde a tensão ficou mais visível internamente." Será que a figura de Nicole Kim está sendo usada como um "bode expiatório" para uma decisão corporativa mais ampla?
O silêncio da HYBE e da BIGHIT MUSIC sobre o assunto também é eloquente. Até o momento, nenhum comunicado oficial foi feito para negar ou contextualizar as alegações do artigo da Vulture. Esse vácuo deixa o campo aberto para especulações e para a fúria dos fãs se alimentar. A pergunta que fica é: a empresa vai se pronunciar antes da estreia do documentário, ou vai deixar que as imagens falem por si?
O legado de "ARIRANG" e o futuro do BTS
Independente de toda a polêmica, "ARIRANG" foi um sucesso comercial monstruoso, quebrando recordes de streaming no primeiro dia. No entanto, para uma parte significativa do ARMY, o álbum carrega uma mancha. A discussão levantou questões fundamentais sobre agência artística e autonomia. Até que ponto os idols, mesmo no topo do mundo como o BTS, têm a última palavra sobre sua música?
Fãs mais antigos lembram de entrevistas em que RM falava sobre o longo processo para conseguir mais liberdade criativa dentro da empresa. Agora, vendo os relatos de tensão em "ARIRANG", muitos se perguntam se essa batalha está realmente ganha. O documentário da Netflix pode ser um divisor de águas, não só mostrando os bastidores, mas redefinindo a relação entre o grupo, a empresa e os fãs.
[스포일러 주의] 다큐멘터리에서 정국이가 한 말이 마음에 걸려. "우리의 음악이 우리의 이야기를 담지 못한다면, 이 모든 게 무슨 의미가 있을까?" 이게 'ARIRANG' 전체를 두고 한 말인 것 같아. 너무 슬프다.
— K-ARMY 보고서 (@k_army_report)
O que vem a seguir? A turnê mundial de retorno, anunciada para o segundo semestre de 2026, será o teste final. Como o grupo vai apresentar essas músicas ao vivo? Vão enfatizar as faixas com mais coreano? A setlist vai contar uma história diferente? Uma coisa é certa: os olhos do mundo — e principalmente dos ARMYs — estarão mais atentos do que nunca, não só aos vocais e coreografias, mas a cada expressão, a cada discurso entre uma música e outra. A busca pela essência do BTS se tornou, ela mesma, a narrativa principal.