Integrantes do KATSEYE, girl group da HYBE, são acusadas de comportamento "racista" com colega
Mais uma vez, o girl group global da HYBE, KATSEYE, está no centro de uma polêmica que faz os fãs questionarem a dinâmica entre as integrantes. A história, contada pela própria membro envolvida, gerou uma onda de reações nas redes sociais.
O incidente durante a live de Yoonchae
Em uma live solo recente, a integrante Yoonchae compartilhou uma história sobre como descobriu o significado da palavra "lottery" (loteria) enquanto estava com suas colegas de grupo. Ela lembrou que viu uma loja no aeroporto com uma fachada brilhante e intrigante e, ao ver a palavra "lottery", perguntou às outras membros o que significava.

KATSEYE | grammy.com
Yoonchae continuou, afirmando que Daniela ficou perplexa por ela não saber o que "lottery" significava. Foi então que Sophia entrou na conversa, dizendo: "Ela provavelmente sabe se você disser com sotaque coreano."
Ela então acrescentou, rindo, que uma de suas colegas pronunciou a palavra com um sotaque konglish (mistura de coreano e inglês), fazendo Yoonchae finalmente perceber que "lottery" era a palavra em inglês para "lotto", o termo konglish amplamente usado na Coreia.
A reação dividida dos fãs nas redes sociais
Apesar de Yoonchae ter contado a história de forma descontraída, a resposta nas redes sociais foi mista. Enquanto alguns fãs acharam a situação engraçada e inofensiva, muitos outros sentiram que a reação das colegas soou como deboche, e alguns até acusaram as integrantes de serem racistas com Yoonchae.
people trynna drag katseye for this like yoonchae didn’t find it funny, and clearly helpful https://t.co/TAkoe2Y9ju pic.twitter.com/BFu9DE6Sue
— tae⁺¹ ! 👾 (@omarisvoidd)
2, 2025
top 3 most annoying ppl to be around when ur learning something new esp a language is mfers that will react like ur crazy and stupid for not knowing certain words... like calm down https://t.co/JojqcGkfr7
— radfem queer gaystapo (@jus2kaiju)
2, 2025
imagine being in a girl group that is copying Kpop's whole flow and dynamics, then being racist towards koreans https://t.co/3e5rSVW6El
— yassica (@ukksai)
2, 2025
O debate se acirrou, com usuários discutindo os limites entre uma brincadeira interna e um comportamento potencialmente ofensivo, especialmente em um grupo que celebra a diversidade cultural.
O contexto da "Konglish" e a barreira linguística
Para entender a profundidade da reação, é preciso mergulhar no fenômeno da "Konglish" – palavras em inglês adaptadas ao coreano, tanto na pronúncia quanto no significado. Palavras como "lotto" (para lottery), "handphone" (para celular) ou "service" (que pode significar algo de graça) são parte do cotidiano na Coreia. Para uma estrangeira aprendendo o idioma, como Yoonchae, que é coreana, mas cresceu em um contexto globalizado, essa linha entre o inglês "real" e o konglish pode ser especialmente confusa. A piada de Sophia, portanto, toca em uma experiência muito real e às vezes frustrante para quem está imerso em um novo idioma e cultura.

As integrantes do KATSEYE | Fonte: HYBE
Especialistas em dinâmica de grupo e comunicação intercultural, como a Dra. Lee Ji-eun, citada em uma matéria da Korea Times, frequentemente alertam para esses micro-momentos. "Em grupos multiculturais, o que é uma brincadeira inocente para alguns pode ser percebido como uma humilhação sutil ou uma reafirmação de um 'nós versus eles' para outros", ela comenta. A questão central não é se a intenção era maldosa, mas como a ação foi recebida e o padrão de comportamento que ela pode representar.
Não é a primeira vez: Um padrão de comportamento?
O que deixou muitos fãs, especialmente os coreanos, mais indignados foi que este incidente não parece ser um caso isolado. Fãs atentos têm compilado momentos de lives e conteúdos onde a dinâmica com Yoonchae parece desequilibrada. Em um vídeo de backstage, Daniela brinca repetidamente sobre como Yoonchae "só fala coreano", em um tom que alguns interpretaram como condescendente. Em outro, durante um jogo, Sophia e Manon riem quando Yoonchae pronuncia uma palavra em inglês com sotaque coreano, sem tentar ajudá-la ou corrigi-la de forma construtiva.
It's the pattern for me. The "she only speaks korean" comments, the laughing at her accent, now this. It's giving microaggression. You can't preach global girl group and then other your only korean member. https://t.co/xYpL9fG7aK
— seokjin's hat (@bangtan_bridge)
2, 2025
Essa percepção de um "padrão" é o que transforma uma piada potencialmente inofensiva em uma acusação séria. Os fãs questionam: em um grupo formado por um reality show que tinha a diversidade como ponto de venda principal, por que a integrante coreana parece constantemente colocada na posição de "estranha" ou "atrasada" dentro do próprio grupo? A reportagem do AllKpop sobre a pressão única sobre membros coreanos em grupos globais destaca justamente o isolamento que eles podem sentir, sendo esperado que sirvam de ponte cultural, mas muitas vezes sendo alvo de brincadeiras por sua "coreanidade".
A resposta (ou a falta dela) da HYBE e da Geffen Records
Enquanto a hashtag #ProtectYoonchae ganhava tração no X (antigo Twitter), o silêncio das agências envolvidas, a HYBE e a Geffen Records, era ensurdecedor. Nenhum comunicado foi emitido para esclarecer a situação, acalmar os ânimos ou defender qualquer uma das partes. Para muitos, essa falta de ação é vista como uma negligência, especialmente considerando a natureza inflamatória das acusações de racismo.
Especialistas em gerenciamento de crise de imagem para idols, como o consultor Park Min-ho, em uma coluna para a Forbes Korea, argumenta que a pior resposta é nenhuma resposta. "Quando a confiança dos fãs é abalada, especialmente em um grupo novo que ainda está construindo sua base, a transparência é crucial. Um simples post nas redes sociais das integrantes, mostrando apoio mútuo em um contexto natural, poderia desarmar muito da tensão. O vácuo é preenchido com especulação e raiva."
O incidente coloca uma lente de aumento sobre os enormes desafios de gerenciar um "grupo global". A promessa é de união além das fronteiras, mas a realidade, como visto aqui, pode ser repleta de armadilhas culturais e linguísticas não resolvidas. A pergunta que fica pairando entre os fãs e observadores da indústria é: isso foi um deslize infeliz em um longo caminho de aprendizado multicultural, ou um sintoma de um problema mais profundo na dinâmica interna do KATSEYE? A forma como as integrantes interagem daqui para frente, tanto em cena quanto nos bastidores, será observada com um novo nível de escrutínio.
Com informações do: Koreaboo