Sentença de homem coreano por conteúdo sexual editado de NewJeans gera revolta
O tribunal também explicou os motivos da sentença.
Você já imaginou o impacto de ver membros do seu grupo favorito, como NewJeans, vítimas de material sexual exploratório? Pois é, um tribunal sul-coreano acabou de sentenciar um homem envolvido nesse tipo de crime.

| ADOR
O caso e a acusação
Segundo um relatório do Newsis, no início deste ano, um homem de 21 anos — identificado apenas como “A” — foi indiciado em sua residência em Pohang, província de Gyeongsang do Norte, por distribuir fotos e vídeos sexuais fabricados em um chat altamente viral no Telegram.

Tribunal Distrital de Daegu, filial de Pohang | Newsis
Manipulação das imagens
De acordo com documentos judiciais, o homem editou e compôs imagens para fazer parecer que as integrantes do NewJeans — Haerin, Hanni e Minji — estavam nuas ou envolvidas em atos sexuais. Na época do indiciamento, Minji e Hanni tinham 20 anos, enquanto Haerin tinha apenas 18.

| Phoning
A sentença e a reação
Em 12 de janeiro, o homem foi acusado de múltiplos crimes, incluindo violação da Lei de Proteção de Crianças e Jovens contra Crimes Sexuais. Esta semana, a Primeira Vara Criminal do Tribunal Distrital de Daegu emitiu sua sentença.
O acusado recebeu uma multa de ₩15 milhões KRW (aproximadamente US$ 10.200) e foi obrigado a cumprir 40 horas de um programa de tratamento contra violência sexual.

Para fins ilustrativos, prisão de outro operador de chatroom deepfake no Telegram em abril de 2025. | Agência de Polícia Provincial do Norte de Gyeonggi
Ao justificar a multa, o tribunal destacou o alcance significativo do material sexual exploratório do réu, já que o chatroom tinha cerca de 200 acessos. Também enfatizou que Minji, Hanni e Haerin não perdoaram o acusado.

| Newsen
Indignação dos fãs
Nas redes sociais, muitos fãs consideram a sentença muito branda, especialmente por Haerin ainda ser menor de idade na Coreia do Sul.
onde estão as sentenças de prisão se a haerin ainda é menor na coreia 🙄
— 🐇 (
de novembro de 2025)
haerin ainda é considerada menor na coreia do sul, por que esse homem não está preso?
— j . ཋྀ ˚₊‧⁺ (
de novembro de 2025)
15 milhões de won é tipo 20 dólares, essa não é uma sentença justa, o sistema judiciário coreano falha de novo
— Zayn 💮 (
de novembro de 2025)
Contexto maior do problema
O acusado é um entre muitos homens presos este ano por criar material sexual semelhante, com a HYBE fornecendo provas à polícia em abril como parte de uma repressão aos deepfakes. No início deste mês, a ADOR também divulgou um comunicado sobre publicações que infringem os direitos do NewJeans.
ADOR divulga comunicado oficial sobre os direitos do NewJeans (NJZ)
Fonte: Newsis
O desafio da legislação contra deepfakes na Coreia do Sul
A Coreia do Sul tem se destacado por sua legislação relativamente avançada no combate a crimes digitais, especialmente aqueles relacionados a deepfakes e pornografia não consensual. No entanto, casos como o do homem que editou imagens das integrantes do NewJeans mostram que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir punições mais severas e eficazes.
Especialistas em direito digital apontam que a dificuldade está em acompanhar a velocidade das tecnologias de edição e distribuição de conteúdo, que se tornam cada vez mais sofisticadas e difíceis de rastrear. Além disso, a legislação atual prevê multas e penas que muitos consideram insuficientes para desestimular a prática, especialmente quando o material envolve figuras públicas jovens e vulneráveis.
Um ponto crítico é a definição legal do que configura dano irreparável à vítima, já que a difusão de deepfakes pode causar prejuízos psicológicos e sociais duradouros, mesmo que o conteúdo seja falso. Por isso, ativistas e grupos de defesa dos direitos das mulheres e artistas têm pressionado por reformas que aumentem as penas e ampliem o suporte às vítimas.
Repercussão na indústria do entretenimento
Além da indignação dos fãs, a indústria do K-pop tem se mobilizado para combater a disseminação de deepfakes e conteúdos ilegais. Agências como a HYBE e a ADOR têm investido em tecnologia para monitorar e remover rapidamente esse tipo de material das redes sociais e plataformas de compartilhamento.
Em entrevistas recentes, representantes dessas agências reforçaram o compromisso com a proteção da imagem e da privacidade dos artistas, destacando que a segurança digital é uma prioridade. No entanto, eles também reconhecem que a luta é constante e que a colaboração com autoridades e plataformas online é essencial para conter a circulação desses conteúdos.
Alguns artistas, inclusive, têm se manifestado publicamente sobre o impacto emocional que essas situações causam, mostrando que por trás do brilho dos palcos existem pessoas que sofrem com a exposição indevida e o assédio digital.
Casos semelhantes e o movimento global contra deepfakes
O caso envolvendo o NewJeans não é isolado. Em 2024, mais de 100 homens foram presos na Coreia do Sul por criar e distribuir deepfakes pornográficos de idols femininas, segundo reportagens recentes. Essa repressão tem sido parte de um esforço maior para combater crimes digitais que afetam celebridades e cidadãos comuns.
Globalmente, o problema dos deepfakes tem ganhado atenção crescente, com países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão implementando leis específicas para criminalizar a criação e distribuição desses conteúdos. Plataformas como Twitter, TikTok e YouTube também têm adotado políticas mais rígidas para remover vídeos e imagens manipuladas que violem direitos ou promovam desinformação.
Apesar disso, a tecnologia continua evoluindo, e a facilidade de acesso a ferramentas de edição torna o combate um desafio constante. Para os fãs e para a sociedade em geral, isso levanta questões importantes sobre privacidade, consentimento e os limites da liberdade digital.
O papel dos fãs e da comunidade otaku
Como fãs, nós temos um papel fundamental na proteção dos nossos ídolos. Denunciar conteúdos ilegais, apoiar campanhas contra o assédio digital e promover o respeito à privacidade são atitudes que ajudam a criar um ambiente mais seguro para todos.
Além disso, a conscientização sobre os danos causados por deepfakes e a desinformação é essencial para que a comunidade otaku não seja conivente com práticas que exploram e prejudicam artistas. O diálogo aberto e o suporte mútuo fortalecem a cultura fandom e mostram que somos mais do que consumidores: somos uma rede de apoio.
Vale lembrar que, apesar da revolta e da tristeza que casos como esse causam, a união dos fãs pode ser uma força poderosa para pressionar por mudanças reais, tanto na legislação quanto na forma como as plataformas digitais lidam com esses crimes.
Com informações do: Koreaboo